A produção de conteúdo adulto tem se tornado uma alternativa de renda extra para trabalhadores que mantêm empregos formais. Servidores públicos e profissionais contratados por empresas recorrem às plataformas para complementar o salário, financiar viagens ou ajudar no pagamento de despesas.
Um servidor federal de 21 anos, identificado como Snow, conta que consegue faturar entre R$ 1 mil e R$ 3 mil por mês com a atividade. Mesmo assim, o valor ainda é inferior ao que recebe no emprego público.
Outro caso é o de Lucas, de 31 anos, que trabalha na área de publicidade e produz conteúdo adulto há cerca de três anos. Segundo ele, em períodos de maior movimento, a atividade pode render aproximadamente R$ 5 mil mensais.
Mesmo após receber uma promoção no emprego formal, Lucas decidiu continuar produzindo conteúdo. A intenção, afirma, é deixar a atividade quando alcançar uma posição profissional com remuneração mais alta.
Medo de exposição
A possibilidade de serem reconhecidos por colegas e familiares faz com que os trabalhadores adotem estratégias para separar as duas atividades. Os entrevistados utilizam nomes fictícios e evitam divulgar os perfis adultos em suas redes pessoais.
Lucas afirma que alguns amigos e colegas sabem da atividade, mas prefere não comentar o assunto com superiores, principalmente por trabalhar em um ambiente corporativo tradicional.
Snow, por outro lado, afirma não considerar a produção de conteúdo algo errado e diz que não teria problemas caso familiares ou colegas descobrissem.
Para a cientista social Carolina Bonomi, pesquisadora de gênero e sexualidade, o estigma associado ao trabalho sexual ajuda a explicar a preocupação com o anonimato entre pessoas que possuem empregos formais.
Ela ressalta, porém, que não existe garantia de anonimato completo, já que imagens podem ser compartilhadas ou reconhecidas por pessoas próximas.
Atividade pode ser temporária
A produção de conteúdo também pode funcionar como uma atividade temporária. Lara, de 34 anos, começou a publicar em 2019 e passou a depender financeiramente da atividade após perder o emprego, em 2023.
Na época, os ganhos chegavam a US$ 500 a US$ 600 por mês. Desde o ano passado, entretanto, ela deixou de publicar novos conteúdos para trabalhar na área de marketing.
O perfil permanece ativo, mas atualmente gera menos de US$ 30 mensais.
Os relatos mostram que a produção de conteúdo adulto pode representar uma fonte complementar de renda para trabalhadores com emprego formal, mas também envolve preocupações relacionadas à exposição, ao anonimato e aos possíveis impactos na carreira profissional.