Delegada Vilma Alves morre aos 79 anos em Teresina; veja trajetória de pioneirismo na Polícia Civil

Primeira mulher a ingressar na Polícia Civil do Piauí e primeira delegada negra do Estado.

A delegada aposentada Vilma Alves morreu aos 79 anos neste sábado (22), em Teresina. Ela estava internada em um hospital particular da capital desde terça-feira (18), quando sofreu um infarto e apresentou um quadro grave de saúde. A confirmação do falecimento foi feita pela família. Informações sobre o velório e o sepultamento ainda não haviam sido divulgadas até a publicação desta matéria. 

A morte encerra uma trajetória de décadas dedicada à segurança pública do Piauí. Vilma Alves construiu uma carreira marcada pelo pioneirismo dentro da Polícia Civil, em uma época em que a presença de mulheres em funções de comando na área da segurança ainda era pouco comum. Ela foi a primeira mulher a ingressar na Polícia Civil do Piauí e também a primeira delegada negra do Estado. Ao longo da carreira, atuou por 36 anos como delegada e acumulou quase cinco décadas de dedicação à segurança pública.

  
Delegada Vilma Alves Reprodução/Redes Sociais
 
 
 

Quem foi Vilma Alves

Maria Vilma Alves da Silva se tornou uma das principais referências femininas da Polícia Civil do Piauí. Durante sua trajetória profissional, ocupou funções que até então não haviam sido exercidas por mulheres na instituição. Entre os cargos de destaque estão o comando da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e a função de corregedora-geral da Polícia Civil, sendo a primeira mulher a chegar ao posto.

Um dos principais capítulos de sua carreira ocorreu em 1989, quando participou da implantação da primeira Delegacia da Mulher do Piauí. Vilma posteriormente comandou a unidade, onde passou a atuar diretamente no atendimento e na investigação de casos envolvendo violência contra mulheres. A atuação na área fez com que seu nome se tornasse associado à defesa das mulheres e ao enfrentamento da violência doméstica no Estado.

Trajetória na Polícia Civil

A carreira de Vilma foi construída em um período em que a Polícia Civil e outros setores da segurança pública eram formados, em sua maioria, por homens. Além do pioneirismo como mulher e como primeira delegada negra do Estado, ela também relatou ao longo dos anos as dificuldades enfrentadas para conquistar espaço dentro da instituição. Em entrevista concedida anteriormente, destacou os desafios de atuar como mulher em uma estrutura marcada pela presença masculina.

Ao longo dos 36 anos como delegada, Vilma passou por diferentes funções e chegou a ocupar a Corregedoria-Geral da Polícia Civil. Em 2021, quando iniciou o processo de aposentadoria, afirmou que pretendia dedicar-se à escrita e contar a própria história em um livro, reunindo experiências como mulher, negra, mãe e servidora pública. 

Vilma Alves deixa como marca uma trajetória de pioneirismo na Polícia Civil do Piauí. Sua atuação também ficou ligada à criação e ao fortalecimento de espaços especializados para o atendimento de mulheres vítimas de violência, além da abertura de caminhos para a presença feminina e negra em cargos de destaque na segurança pública estadual.