O Piauí registrou o terceiro maior crescimento no número de pessoas desaparecidas do Brasil entre 2024 e 2025, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. O estado passou de 616 registros em 2024 para 744 ocorrências em 2025, um aumento de 20,5%. Com esse resultado, a média chegou a aproximadamente duas pessoas desaparecidas por dia, colocando o estado atrás apenas de Minas Gerais, que teve alta de 30,5%, e do Maranhão, com crescimento de 29,8%.
Além do aumento nos registros de desaparecimento, o levantamento também aponta crescimento no número de pessoas localizadas. Em 2024, foram encontradas 264 pessoas, enquanto em 2025 esse total subiu para 346. O documento destaca que, embora não seja possível estabelecer uma relação direta, estados como Piauí e Maranhão enfrentam disputas ligadas ao tráfico de drogas, cenário que pode estar associado ao avanço desses indicadores, apesar de ambos ainda apresentarem taxas abaixo da média nacional.
Em todo o Brasil, as forças de segurança registraram 84.269 desaparecimentos em 2025, um aumento de 3,6% em comparação com os 81.040 casos contabilizados no ano anterior. O número representa a maior quantidade de ocorrências dos últimos nove anos. Segundo o anuário, 64,9% das pessoas desaparecidas são do sexo masculino, e 64,4% pertencem à faixa etária entre 18 e 59 anos. O estudo também mostra que pessoas negras representam 45,2% dos registros, mas alerta que uma parcela significativa das ocorrências ainda não possui informações sobre raça ou cor, comprometendo análises mais precisas.
Especialistas apontam que a falta de dados detalhados dificulta a compreensão do fenômeno. A pesquisadora e mestre em Sociologia Maria Romero afirma que o Brasil ainda não possui indicadores capazes de diferenciar desaparecimentos voluntários dos forçados, o que limita a elaboração de políticas públicas mais eficazes. Segundo ela, o crescimento observado no Piauí não é um episódio isolado, mas parte de uma tendência registrada ao longo da última década. A pesquisadora também ressalta que a combinação entre o aumento dos desaparecimentos e os baixos índices de esclarecimento de homicídios no estado evidencia desafios para a atuação da segurança pública diante das novas formas de atuação das organizações criminosas.