Justiça exclui vídeos de acidente que matou casal em Teresina por falhas na perícia

Decisão apontou falhas na cadeia de custódia das imagens usadas na investigação do acidente ocorrido em dezembro de 2024, em Teresina.

A Justiça do Piauí determinou a retirada das imagens de câmeras de segurança usadas no processo que apura o acidente que matou o casal Francisco Felipe Oliveira Duarte e Laurielle da Silva Oliveira, em dezembro de 2024, em Teresina.

  

João Henrique e casal vitimado em acidente. Reprodução
   

A decisão foi tomada pela 1ª Câmara Especializada Criminal do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) ao analisar um pedido da defesa de João Henrique Soares Leite Bonfim, acusado de provocar o acidente.

O estudante responde ao processo em liberdade desde o final de março de 2025. Ele havia sido preso em flagrante no dia da colisão, teve a prisão convertida em preventiva e posteriormente foi solto após decisão em habeas corpus.

Por maioria, os desembargadores entenderam que não foi possível comprovar a autenticidade dos vídeos utilizados na investigação. Com isso, determinaram a exclusão das imagens e dos laudos periciais produzidos a partir delas.

A decisão teve como base informações técnicas do Instituto de Criminalística anexadas ao processo. No documento, os peritos afirmaram que o material analisado foi entregue em “embalagem simples, sem lacre de segurança numerado” e que o exame foi realizado apenas em um DVD encaminhado pela polícia.

Os peritos também informaram que não tiveram acesso aos equipamentos originais das gravações, como DVRs, servidores e sistemas de segurança responsáveis pela captação das imagens.

Segundo o laudo, “não é possível afirmar categoricamente” que os vídeos analisados correspondam aos arquivos originais gravados pelas câmeras de segurança. Apesar disso, a perícia destacou que não encontrou indícios de edição, manipulação ou adulteração nos arquivos recebidos.

Para os desembargadores, a ausência de registros completos sobre a coleta, armazenamento e envio das imagens comprometeu a cadeia de custódia da prova e impediu a confirmação da autenticidade do material.

Mesmo com a retirada das imagens, o processo criminal continuará tramitando com base em outras provas já reunidas, incluindo depoimentos de testemunhas.

O advogado Wildes Próspero, que atua na defesa de João Henrique Soares Leite Bonfim, afirmou que não comenta os casos em que trabalha e que eventuais manifestações serão feitas “através dos recursos eventualmente cabíveis”.

Sobre o caso

João Henrique Soares Leite Bonfim responde por homicídio qualificado por dolo eventual após o acidente ocorrido no cruzamento das avenidas Nossa Senhora de Fátima e Jóquei Clube, na Zona Leste de Teresina.

Segundo denúncia do Ministério Público, ele dirigia em alta velocidade, sob efeito de álcool e drogas, quando avançou o sinal vermelho e atingiu a motocicleta ocupada pelas vítimas.

A denúncia afirma ainda que o motorista apresentava sinais de embriaguez, recusou-se a realizar o teste do bafômetro e portava uma porção de MDMA no momento da abordagem policial.

O relator do caso, Sebastião Ribeiro Martins, votou contra o pedido da defesa. Para ele, não existiam indícios concretos de adulteração das imagens e a discussão exigiria análise mais aprofundada das provas.