Um laudo de exame de lesões corporais revelou a gravidade do ataque sofrido por uma mulher identificada pelas iniciais E. A. S. durante uma tentativa de feminicídio ocorrida em 31 de julho, na zona Sul de Teresina. O documento pericial aponta diversos ferimentos nos braços, antebraços, punhos e mãos, além da amputação traumática do segundo dedo da mão esquerda. Segundo a análise da Medicina Legal, as características dos cortes são compatíveis com a ação de um instrumento de grande capacidade de causar ferimentos, como um facão.
A perícia também identificou um padrão de ferimentos conhecido como “lesões de defesa”. Esse tipo de lesão costuma aparecer quando a vítima usa os braços e as mãos para tentar proteger o corpo durante uma agressão. No caso investigado, os cortes foram encontrados em diferentes pontos das duas mãos e dos membros superiores, com maior gravidade no lado esquerdo. Para os peritos, a distribuição das lesões indica que a mulher tentou impedir que os golpes atingissem outras partes do corpo. A amputação do dedo foi considerada uma lesão de elevada gravidade.
De acordo com a investigação conduzida pela delegada Nathália Figueiredo, do Núcleo Investigativo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), a vítima estava em casa quando foi surpreendida pelo investigado Francisco Diego de Araújo, de 28 anos. Segundo o relato prestado à polícia, a mulher havia contratado o homem para realizar um serviço de capina na residência, mas o trabalho não teria sido concluído. Durante a madrugada, ela teria acordado com o suspeito sobre seu corpo e percebeu uma tentativa de violência sexual. Em seguida, ele teria iniciado as agressões com um objeto cortante. A vítima relatou que fingiu estar morta para conseguir sobreviver ao ataque.
Após a agressão, Francisco Diego teria deixado o imóvel acreditando que havia matado a mulher e levado o celular dela. Por isso, além da tentativa de feminicídio e da tentativa de estupro, ele também foi indiciado por furto. A delegada informou que o investigado apresentou versões diferentes sobre a arma utilizada, mencionando inicialmente um facão e depois uma faca de cortar carne. A avaliação pericial apontou que os ferimentos são compatíveis com um objeto de grande capacidade lesiva. Francisco Diego foi preso em flagrante poucas horas após o crime por policiais do 6º Batalhão da Polícia Militar e permanece à disposição da Justiça.