Mulher absolvida após caso de envenenamento pede R$ 1 milhão de indenização ao Estado

Lucélia Maria da Conceição ficou quase cinco meses presa e teve a casa destruída após ser acusada de envenenar duas crianças em Parnaíba.

Lucélia Maria da Conceição, que passou quase cinco meses presa sob suspeita de envenenar dois irmãos em Parnaíba, no litoral do Piauí, entrou na Justiça para cobrar mais de R$ 1 milhão em indenização do Estado. A mulher foi absolvida em outubro de 2025, após uma perícia descartar a presença de veneno nos cajus que, segundo a acusação feita durante a investigação, teriam sido consumidos pelas crianças.

Além do período em que permaneceu presa, Lucélia afirma ter sofrido outros prejuízos após ser apontada como suspeita. A casa onde ela morava foi atacada e incendiada por populares durante a repercussão do caso. Desde então, ela passou a morar de aluguel. A defesa pede reparação por danos materiais e morais e também tenta garantir a continuidade de uma pensão provisória concedida pela Justiça.

O benefício, equivalente a cerca de um salário mínimo e meio, foi pago durante aproximadamente dois meses por determinação judicial. A medida foi estabelecida para auxiliar Lucélia enquanto tramita a ação contra o Estado. A Procuradoria-Geral do Estado do Piauí (PGE-PI), no entanto, recorreu da decisão. O recurso está sendo analisado pelo Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI).

Lucélia afirma que ainda enfrenta dificuldades para retomar a rotina e reconstruir a vida depois do caso. Segundo ela, a perda da residência e o período em que ficou presa deixaram consequências que permanecem até hoje. Apesar disso, diz que mantém a esperança de recuperar a estabilidade e seguir em frente.

“É muito difícil. Não tem nada bom ainda não. Nunca perdi a esperança. Tenho esperança de ver isso aí tudo ser realizado ainda. Não perco a esperança. Nunca perdi, nunca vou perder”, afirmou Lucélia.

Relembre o caso

Lucélia foi presa em agosto de 2024, após ser apontada como suspeita de envenenar dois irmãos, de 7 e 8 anos, em Parnaíba. Segundo a acusação apresentada na época, as crianças teriam passado mal após consumir cajus que estariam contaminados com veneno.

O caso provocou revolta na cidade e a residência onde Lucélia morava foi alvo de ataques. O imóvel acabou incendiado por populares enquanto ela era investigada.

Durante a apuração, uma perícia analisou os alimentos relacionados ao caso e não encontrou veneno nos cajus. Em outubro de 2025, após quase cinco meses de prisão, Lucélia foi absolvida pela Justiça.

A partir da decisão, a defesa passou a buscar uma reparação pelos prejuízos causados durante o período de prisão e pelas consequências do caso, incluindo a destruição da residência onde ela vivia.