A Polícia Civil teve acesso a prints de conversas entre o empresário Marcus Almeida e Suelene da Cruz Pessoa, conhecida como Sol Pessoa, apontada como responsável pelo controle financeiro do esquema de lavagem de dinheiro e rachadinha no gabinete do ex-prefeito de Teresina, Dr. Pessoa, entre 2020 e 2024. Segundo as investigações, Sol solicitava nomeações de pessoas para cargos comissionados e definia valores de salários. Em um dos diálogos, ela pede a Marcus que agilize a lotação de uma pessoa na Semcaspi, com remuneração de R$ 4 mil.
As mensagens também mostram pedidos de transferências bancárias e pagamentos pessoais. Em um dos trechos, Sol solicita o envio de R$ 2.300 para duas contas diferentes, além de boletos de aluguel quitados por um servidor. Durante as buscas, a polícia encontrou cartões bancários em nome de ex-servidores na residência de Sol Pessoa, o que levanta suspeita de que ela continuava movimentando contas mesmo após o fim da gestão.
A Operação Gabinete de Ouro, deflagrada na terça-feira (14), prendeu temporariamente Sol Pessoa, o servidor público Rafael Thiago, o terceirizado Mauro José e o empresário Marcus Almeida. O delegado Ferdinando Martins afirmou que os ex-servidores ajudavam a movimentar valores e pagar despesas pessoais da ex-chefe de gabinete, como joias, bolsas e reforma de imóvel. Segundo ele, um motorista chegou a transferir R$ 150 mil a uma construtora para custear obras na casa dela.
Até o momento, não há indícios de que o ex-prefeito Dr. Pessoa tivesse conhecimento do esquema. De acordo com o delegado, Sol coordenava as movimentações financeiras e a realocação de servidores, tendo influência direta sobre pagamentos e contratos. A defesa dos investigados ainda não se manifestou. O espaço segue aberto para esclarecimentos.