Operação prende apontado como líder do PCC no Piauí e bloqueia milhões em bens

Ação cumpriu 31 mandados em três estados, apreendeu armas e determinou o bloqueio de valores, veículos e imóveis ligados a investigados.

A Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) realizou, nesta sexta-feira (16), a Operação Cactus, voltada ao combate ao tráfico de drogas, à atuação de organizações criminosas e à lavagem de dinheiro. Coordenada pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), a ação cumpriu 11 mandados de prisão e 20 de busca e apreensão, além de apreender armas de fogo. As diligências ocorreram em Teresina e União, no Piauí, em Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão, e em Cuiabá, no Mato Grosso.


Um dos principais alvos foi Igor Barbosa da Silva, conhecido como “Igor Gordão”, apontado pela investigação como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) com atuação no Piauí. Ele foi preso em Santo Antônio dos Lopes, a cerca de 400 quilômetros de Teresina. Segundo a Polícia Civil, os levantamentos indicam que o investigado teria papel importante na movimentação financeira do grupo. A apuração identificou transações consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados e possíveis indícios de ocultação de patrimônio. A esposa dele, identificada pelas iniciais A. da S. S., também é citada na investigação financeira. As suspeitas contra os envolvidos ainda estão sendo apuradas.


Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou medidas para atingir o patrimônio de pessoas e empresas investigadas. Entre os valores previstos estão bloqueios de até R$ 487 mil em bens atribuídos a Igor e de até R$ 625 mil em bens relacionados à esposa. A decisão também inclui restrições financeiras que podem chegar a milhões de reais, o sequestro de 60 veículos e de um apartamento em Teresina comprado por R$ 300 mil à vista. Também foram autorizadas prisões temporárias por 30 dias para 11 investigados e a suspensão das atividades de empresas mencionadas no procedimento. Segundo as autoridades, as medidas buscam impedir que recursos suspeitos continuem circulando ou sejam escondidos.


O coordenador do DENARC, delegado Samuel Silveira, afirmou que a operação busca atingir tanto as atividades ligadas ao tráfico quanto a estrutura financeira que pode sustentar o crime organizado. De acordo com ele, a investigação também alcança empresários e outras pessoas suspeitas de participar da movimentação de recursos de origem criminosa. A Operação Cactus faz parte das ações de segurança pública destinadas a identificar responsáveis pelo tráfico e rastrear possíveis ganhos obtidos com essas atividades. As investigações continuam para esclarecer a participação de cada alvo e verificar se outras pessoas estão envolvidas. As suspeitas citadas não representam condenação judicial.