Piauí lidera aumento de feminicídios no Brasil e acende alerta para violência contra a mulher

Além dos feminicídios, outro dado que preocupa é o avanço das denúncias de estupro.

O estado do Piauí enfrenta uma realidade alarmante no que diz respeito à violência de gênero. De acordo com o Mapa da Segurança Pública de 2025, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, o estado registrou o maior crescimento percentual de feminicídios em todo o país entre 2023 e 2024.

O aumento foi de 42,86% no número de casos. Em 2023, o Piauí contabilizou 28 mortes de mulheres em razão de sua condição de gênero. Em 2024, esse número saltou para 40 vítimas. A capital, Teresina, também chama atenção: com 12 feminicídios registrados no ano passado, aparece como a quarta capital brasileira com maior número absoluto de casos, atrás apenas de Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus.

Além dos feminicídios, outro dado que preocupa é o avanço das denúncias de estupro. O estado viu o número de vítimas subir de 1.131 para 1.398, o que representa um aumento de 23,61% em apenas um ano.

Para a delegada Bruna Verena, da Diretoria de Proteção à Mulher e aos Grupos Vulneráveis, os números escancaram uma dura realidade, mas também apontam a urgência de ações mais efetivas. Segundo ela, a maior parte das vítimas de feminicídio no estado não havia buscado ajuda formal antes do crime acontecer.

 “Muitas dessas mulheres não registraram boletins de ocorrência e nem solicitaram medidas protetivas. Quando a polícia é acionada, em grande parte dos casos, a tragédia já aconteceu. Precisamos quebrar esse ciclo com o apoio da sociedade”, afirmou a delegada.

De janeiro a maio deste ano, 24 mulheres já foram assassinadas no estado, o que reforça a tendência de crescimento e a necessidade de ampliar os mecanismos de proteção e denúncia.

O Piauí conta com uma rede de proteção estruturada, que inclui a Casa da Mulher Brasileira, a Patrulha Maria da Penha e o trabalho da Guarda Maria da Penha, além de canais de denúncia como o Disque 180, o WhatsApp (0800 000 1673) e o aplicativo Júlia, ferramenta via WhatsApp que permite às vítimas solicitarem medidas protetivas sem sair de casa.

“Hoje é possível denunciar e pedir proteção de forma remota. O boletim de ocorrência pode ser feito online. Mas, para que tudo isso funcione, é necessário que as vítimas ou as pessoas próximas tenham coragem de denunciar. O silêncio continua sendo o maior aliado da violência”, reforçou Bruna Verena.

A delegada ressalta que o combate ao feminicídio não é uma missão exclusiva da polícia. É um trabalho conjunto que exige o envolvimento de familiares, vizinhos, instituições públicas e privadas, além da sociedade como um todo.

Enquanto os números não param de crescer, cresce também a urgência de enfrentar a cultura de violência e garantir que nenhuma mulher precise viver – ou morrer – com medo.