A Polícia Civil do Piauí explicou o motivo pelo qual a técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha, de 42 anos, foi indiciada por subtração de criança e não pelos crimes de sequestro ou cárcere privado no caso envolvendo uma recém-nascida da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina. Segundo o delegado Hugo Alcântara, responsável pelo inquérito, o enquadramento escolhido corresponde melhor aos fatos apurados durante a investigação.
De acordo com o delegado da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o crime de sequestro ou cárcere privado está relacionado à retirada da liberdade de uma pessoa de se movimentar. Já a subtração de criança ocorre quando um menor é retirado da guarda de seus responsáveis legais com a intenção de colocá-lo em outro ambiente familiar. Segundo a investigação, a suspeita teria planejado levar a bebê para sua própria residência e criá-la como filha.
A Polícia Civil informou que chegou à conclusão após analisar depoimentos, imagens de câmeras de segurança, documentos e outros elementos reunidos durante o inquérito. Conforme a investigação, Auricélia teria entrado na maternidade mesmo estando de folga e usando o uniforme da unidade. A suspeita teria informado aos familiares que levaria a criança para realizar exames, conseguindo ficar com a recém-nascida por determinado período.
Ainda segundo a polícia, durante as diligências realizadas na residência da investigada foram encontrados objetos e um espaço preparado para receber uma criança, além de indícios de que ela teria simulado uma gravidez durante meses. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário, com comunicação ao Ministério Público e à Defensoria Pública. A defesa da técnica afirma que o estado de saúde mental dela deve ser considerado no processo e apresentou documentos médicos que apontam diagnóstico de transtorno psicótico.