A Polícia Civil do Piauí estima que um grupo investigado por fraudes eletrônicas tenha provocado perdas de ao menos R$ 500 mil por meio do chamado golpe do chip falso, conhecido como SIM Swap. A organização, que seria comandada a partir do Piauí, é suspeita de atacar vítimas de pelo menos oito estados. A informação foi divulgada pelo delegado Humberto Márcola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), durante a segunda fase da Operação Chip Falso, realizada nesta quinta-feira (20).
Conforme a investigação, o esquema começava com a obtenção de dados pessoais e informações biométricas de terceiros. Os suspeitos, segundo a polícia, usavam documentos falsificados e recursos para alterar imagens de reconhecimento facial e conseguir transferir linhas telefônicas para outros chips. Com o número sob controle, os criminosos teriam acesso a aplicativos e serviços vinculados ao telefone, o que possibilitaria golpes envolvendo contas bancárias, cartões e perfis do WhatsApp. A investigação já identificou cerca de 120 pessoas que teriam cedido seus dados biométricos ao grupo.
Entre os presos nesta nova fase está Lívio Fernando de Oliveira Sousa, conhecido como Lívio da Caverna. Segundo a polícia, ele seria o responsável por liderar a organização e recrutar pessoas para fornecer os dados utilizados nas fraudes. O homem foi localizado no bairro Três Andares, na zona Sul de Teresina. A companheira dele, Rosana Rodrigues da Silva, também é investigada e havia sido procurada na primeira fase da operação. Ela se apresentou às autoridades em julho e, segundo o delegado, as provas reunidas no inquérito também apontam participação dela no esquema.
A primeira fase da operação foi realizada em 15 de julho e resultou no cumprimento de 30 ordens judiciais em Teresina. Durante a apuração, os investigadores descobriram uma casa no bairro Monte Castelo que teria sido utilizada para atrair pessoas e coletar dados para as fraudes. A polícia afirma que os suspeitos deixaram o imóvel depois da primeira operação, mas teriam continuado as atividades em outro endereço. O caso permanece em investigação e novas prisões não são descartadas. As autoridades recomendam que pessoas que perderem o sinal do celular de forma inesperada e por longo período procurem a operadora imediatamente para verificar se houve alteração indevida na linha.