Quatro homens são indiciados por tortura e morte durante “tribunal do crime”

Vítima foi torturada após grupo criminoso ser acionado por mãe que teve celular furtado pelo filho.

Quatro homens foram indiciados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) pela participação na morte de Francisco Gustavo Ferreira Araújo, de 34 anos, ocorrida em 5 de fevereiro, no bairro Areias, Zona Sul de Teresina. Francisco Erik, Francisco das Chagas, Tharso Carvalho e Ronaldo Rodrigues são investigados por envolvimento direto no caso, que, segundo a polícia, teria ocorrido durante um chamado “tribunal do crime” realizado por integrantes de uma organização criminosa.

Segundo as investigações, Francisco Gustavo, que tinha esquizofrenia e fazia uso de drogas, teria furtado o celular da própria mãe um dia antes do crime. A mulher já havia procurado a polícia em outras ocasiões por causa de situações relacionadas aos surtos do filho. Conforme o DHPP, integrantes de uma facção passaram a ameaçá-la e determinaram que, em vez de procurar as autoridades, ela deveria acionar os criminosos quando tivesse algum problema. Após o furto do aparelho, ela entrou em contato com o grupo.

  

Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Reprodução
   

A vítima foi submetida a agressões durante o julgamento feito pelos criminosos. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado, mas encontrou Francisco Gustavo já sem vida. A perícia identificou fraturas no pescoço e na coluna, além de diversos ferimentos na região do tórax. Três dos investigados já foram presos e estão no sistema prisional. Eles foram indiciados por homicídio qualificado e organização criminosa.

O quarto suspeito, Ronaldo Rodrigues, continua sendo procurado. Segundo o delegado Danúbio Dias, do DHPP, ele é apontado como líder do grupo e seria temido tanto por moradores quanto por outros integrantes da organização. A polícia teve dificuldades para identificá-lo e conseguiu localizar apenas uma fotografia antiga, de 2002. O investigado possui antecedentes por roubos registrados desde as décadas de 1990 e 2000. A mãe de Francisco Gustavo não foi indiciada, pois, segundo o DHPP, teria sido coagida pelos criminosos em razão de sua situação de vulnerabilidade. Após a morte do filho, ela precisou deixar a comunidade.