Suspeito de matar PM em Parnaíba pode ser indiciado por latrocínio

Os envolvidos eram investigados por tráfico de drogas e integravam a mesma facção criminosa

Após dias de investigação e buscas, cinco pessoas foram presas por suspeita de envolvimento na agressão e morte do 3º sargento da Polícia Militar José Arnóbio Farias Cardoso, no litoral do Piauí. Entre os presos está Lucas da Silva Oliveira, conhecido como “Lucas Camaleão”, apontado pela polícia como principal suspeito do crime.

As buscas começaram na última sexta-feira (14). Segundo a Polícia Militar, o trabalho de inteligência era realizado para reunir informações sobre um ponto de tráfico de drogas na região.

O comandante da Polícia Militar explicou que o sargento José Arnóbio identificou um local relacionado às investigações. Segundo ele, a abordagem feita pelo policial ocorreu de forma inadequada e terminou com a morte do militar.

  

Morte do 3º sargento da PM no litoral do Piauí 
   

“Era uma diligência realizada por quatro militares que foram à boca de fumo e, ao chegar lá, abordaram o indivíduo. Como ele não tinha mandado, eles resolveram sair do local. O PM deixou os três policiais no local da ocorrência e saiu de viatura, aguardando a informação dos outros três sobre se havia movimentação de tráfico de drogas no local. Só que o homicida conseguiu sair de casa na motocicleta junto com sua esposa e filho e foi interceptado pelo sargento de modo errado. Realmente, a gente tem que aceitar o erro do policial, que jamais deveria ter feito aquela abordagem sozinho”, explicou.

Uma câmera de segurança próxima ao local registrou o momento em que a motocicleta do suspeito e o veículo do PM colidiram. Após sair do veículo, o sargento foi agredido com um capacete e, em seguida, recebeu socos. O suspeito teria tomado a arma do policial e efetuado disparos contra o militar.

Morte e prisões no litoral do Piauí

As buscas pelo suspeito continuaram durante a madrugada de sábado (15). Durante as diligências, dois homens naturais do Ceará e um adolescente de 17 anos morreram em confrontos com a Polícia Militar.

“As diligências foram intensas. O que aconteceu é que, quando eles estavam sendo abordados, além de resistirem, atiraram na PM. Eram pessoas envolvidas com muitos crimes, pessoas nocivas ao convívio em sociedade e, por terem atirado na polícia, infelizmente foram neutralizadas pela Polícia Militar”, explicou o coronel Erisvaldo Viana.

Após as mortes, a polícia prendeu pessoas ligadas ao principal suspeito, entre elas a companheira de Lucas Camaleão e um homem identificado como Rafael, que estaria dando suporte à fuga.

A companheira de Lucas foi liberada após prestar depoimento e afirmar que não tinha envolvimento com o crime.

Rafael, apontado como responsável por dar suporte à fuga, passou por audiência de custódia e permanece preso.

“Ele (Rafael) já estava sendo investigado e seria alvo de uma operação policial que seria deflagrada esta semana. Ele também responde por ser mandante de um homicídio no Dunas, com participação do Lucas Camaleão, que forneceu a motocicleta para cometer esse crime, além de outros indivíduos com mandados de prisão. Então, a gente teve que antecipar também essa operação. O Rafael foi preso tanto por tráfico quanto por participação em homicídio”, afirmou o delegado.


  

Investigações da morte do 3º sargento do Piauí 
   

Lucas Camaleão procurou um advogado antes de se entregar à Polícia Civil do Piauí, na madrugada de domingo (16). O delegado responsável pelo caso, Abimal Silva, informou que não houve negociação. Segundo ele, Lucas manteve contato com familiares durante o período em que esteve foragido, antes de se entregar.

Após a prisão, o suspeito informou à polícia onde teria escondido a arma utilizada no crime e o local onde permaneceu durante os dois dias em que esteve foragido.

“Ele disse que esteve na área de mangue, passou a maior parte do tempo lá, se escondendo dentro da água. Escondeu a arma de fogo lá e tentou fugir para Luís Correia, pedindo ajuda a pescadores que passavam de canoa, mas eles recusaram”, contou o delegado.

Até o momento, a arma não foi localizada.

Lucas foi conduzido à audiência de custódia no domingo (16), quando teve a prisão preventiva decretada. O inquérito permanece em andamento.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Lucas pode ser indiciado por latrocínio, homicídio e tráfico de drogas majorado.

“Estamos entendendo que se trata de um crime de latrocínio, que, no caso, é ainda mais grave do que o crime de homicídio, e a pena é maior. Foi um tráfico de drogas majorado, e é importante destacar essa situação, porque foi um transporte de drogas na presença de uma criança. Isso é uma tática utilizada por traficantes: utilizar a própria família como escudo humano para evitar uma abordagem policial. Em seguida, houve a violência. Ele atingiu o policial militar covardemente e, depois, subtraiu a arma de fogo e, com a própria arma, executou friamente o policial militar. Então, a gente entende que se trata de um crime de tráfico de drogas majorado e latrocínio”, explicou o delegado.

Investigações sobre tráfico de drogas e mortes

De acordo com as investigações das polícias Militar e Civil do Piauí, os envolvidos nas mortes e prisões eram investigados por tráfico de drogas e teriam ligação com a mesma facção criminosa.

No dia do ocorrido, foram apreendidos cerca de 12 quilos de drogas, sendo 8 kg de crack e 4 kg de cocaína. Segundo a polícia, os entorpecentes teriam sido descartados pelos suspeitos durante a fuga.