A disputa pelas duas vagas do Piauí no Senado começa a produzir diferentes arranjos dentro da base aliada, mas o deputado estadual Felipe Sampaio (MDB) descarta que as escolhas individuais estejam criando um problema entre MDB e PSD.
Primeiro suplente de Marcelo Castro (MDB), Felipe foi questionado sobre a situação do próprio pai, o vice-governador Themístocles Filho, que tem manifestado apoio a Ciro Nogueira (PP), enquanto lideranças ligadas ao MDB também avaliam o voto em Júlio César (PSD).
Para Felipe, não há conflito entre os partidos. O deputado defende que prefeitos e demais lideranças tenham liberdade para definir seus apoios de acordo com os interesses de cada município. “Não existe aresta com o PSD. Nós estamos deixando à disposição das nossas lideranças, principalmente os prefeitos, escolherem os seus candidatos”, afirmou.
Felipe citou a própria família para explicar essa lógica. Em Esperantina, a prefeita Ivanária Sampaio, declarou apoio a Ciro Nogueira. Segundo o deputado, a decisão está relacionada à atuação do senador em favor do município.
O parlamentar ressaltou que, apesar das diferentes escolhas, seu primeiro voto está definido para Marcelo Castro, de quem é primeiro suplente. Sobre o segundo voto, afirmou que há lideranças de sua base que optaram por Júlio César e que ele acompanha essa decisão em algumas cidades. “Tem várias lideranças minhas que preferiram votar também em Júlio César e estamos apoiando, falando o nome dele nessas cidades em que escolheram o apoio a Júlio César”, afirmou.
Felipe também procurou afastar a possibilidade de que a divisão dos votos ao Senado prejudique a relação entre MDB e PSD. Os dois partidos integram a base do governador Rafael Fonteles e têm interesses comuns na eleição de 2026.
“Então acho que não tem problema com o PSD. O MDB sempre foi muito parceiro e a gente continua trabalhando”, afirmou.
Como exemplo, o deputado relatou ter participado de uma reunião em que os presentes haviam escolhido Júlio César como candidato ao Senado. Mesmo assim, segundo ele, sua presença não foi motivo de constrangimento.
“Ontem mesmo estive em uma reunião que a pessoa votava em Júlio César, estive lá falando, dizendo a história de Júlio César, esse grande parlamentar”, relatou.
A fala de Felipe reforça uma estratégia de convivência com diferentes candidaturas ao Senado dentro do mesmo campo político: preservar a aliança entre os partidos e, ao mesmo tempo, permitir que as lideranças locais definam seus próprios arranjos eleitorais.