O deputado estadual Gustavo Neiva (Progressistas) criticou a situação das contas públicas do Estado durante audiência na Assembleia Legislativa do Piauí. O parlamentar afirmou que os dados apresentados pelo governo apontam para um cenário preocupante nas finanças estaduais.
As discussões ocorreram nesta quarta-feira (11), durante audiência pública na Comissão de Fiscalização e Controle, Finanças e Tributação, que analisou os resultados orçamentários do Governo do Estado referentes ao 3º quadrimestre de 2025.
Segundo Neiva, o Piauí encerrou o ano com déficit superior a R$ 2 bilhões. “Os dados apresentados demonstram que o Estado terminou 2025 no vermelho, com déficit de mais de R$ 2 bilhões”, afirmou.
O deputado também apontou descumprimento de limite estabelecido pelo Senado para pagamento da dívida pública. De acordo com ele, o Estado gastou mais de R$ 2,4 bilhões com a dívida em 2025, o que representa cerca de 12,8% da receita corrente líquida — acima do limite de 11,5%. “Isso demonstra que a saúde financeira do Estado não anda bem”, disse.
Outro ponto levantado pelo parlamentar foi o crescimento do endividamento estadual. Segundo dados apresentados na audiência, a dívida consolidada líquida passou de R$ 5,3 bilhões para R$ 13,3 bilhões nos últimos cinco anos.
Neiva também demonstrou preocupação com o momento econômico, citando a taxa básica de juros elevada. Para ele, a contratação de empréstimos nesse cenário tende a encarecer ainda mais as contas públicas no futuro.
Durante a audiência, o secretário da Fazenda, Emílio Júnior, confirmou os números, mas afirmou que parte do cálculo envolve renegociação de empréstimos que, segundo ele, deve reequilibrar os indicadores ao longo do tempo.
Apesar das críticas, Neiva destacou que o Estado ainda possui margem para ampliar gastos com pessoal. Segundo os dados apresentados, a despesa com servidores representa atualmente cerca de 37% da receita corrente líquida, abaixo do limite de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Para o deputado, essa margem poderia ser utilizada para melhorar os salários de categorias do serviço público. “O Estado tem capacidade de ampliar essa despesa para valorizar os servidores, especialmente professores e policiais militares. O que falta é vontade política”, afirmou.