Juscelino Filho é indiciado pela PF por suposto desvio de emendas no Maranhão

O ministro negou qualquer irregularidade e atribuiu as acusações a uma "ação política"

A Polícia Federal indiciou o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, no âmbito de um inquérito que investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas à pavimentação de ruas em Vitorino Freire, no interior do Maranhão. A administração da cidade está sob responsabilidade de sua irmã, Luanna Rezende, que foi temporariamente afastada do cargo no ano passado, mas retomou suas funções após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Este é o primeiro caso de indiciamento de um membro do primeiro escalão do atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua defesa, o ministro negou qualquer irregularidade e atribuiu as acusações a uma "ação política" por parte da corporação policial.

O processo estava sob a relatoria do ministro Luís Roberto Barroso no STF, mas foi transferido para a então ministra Rosa Weber em setembro. Com a aposentadoria de Rosa, o ministro Flávio Dino assumiu a relatoria. Dino, que foi colega de Juscelino na Esplanada dos Ministérios até janeiro deste ano, chegou a considerar se declarar impedido de julgar o caso antes de assumir sua vaga na Corte.

O relatório final da investigação conduzida pela PF foi encaminhado à Corte nesta terça-feira. Em sua resposta, Juscelino criticou a investigação, alegando que apenas indicou emendas parlamentares para financiar obras, cuja licitação, execução e fiscalização são de responsabilidade do Poder Executivo e de outros órgãos competentes. Ele também argumentou que a investigação se baseia em eventos antigos e que não são de sua responsabilidade enquanto parlamentar.