O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta terça-feira (9) para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus pela tentativa de golpe de Estado em 2022. Moraes considerou que todos os acusados cometeram crimes autônomos que, somados, podem chegar a 43 anos de prisão. O relator seguiu a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e afirmou que a decisão ainda será seguida pelos votos dos ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
Durante o voto, Moraes afirmou que Bolsonaro liderou uma organização criminosa entre 2021 e 2023 com o objetivo de deslegitimar o sistema eleitoral e garantir sua permanência no poder. O ministro citou episódios como a live de julho de 2021, reuniões ministeriais e encontros com embaixadores, além do adiamento da divulgação do relatório do Ministério da Defesa, que confirmava a lisura do processo eleitoral.
O relator também destacou a participação dos réus em atos violentos, incluindo acampamentos em quartéis, manifestações e invasões de prédios públicos em 8 de janeiro de 2023. Moraes classificou essas ações como parte de um plano coordenado para impedir a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e do vice Geraldo Alckmin, evidenciando a intenção de ruptura democrática.
Além disso, Moraes citou o plano “Punhal Verde-Amarelo”, que previa assassinatos de autoridades, produzido e impresso no Palácio do Planalto. O ministro ressaltou que a tentativa de golpe não foi isolada, mas contou com estruturas oficiais do Estado, demonstrando que a organização criminosa buscava tomar o poder a qualquer custo. A conclusão de Moraes sustenta a autoria de Bolsonaro nos ataques de 8 de janeiro, mesmo estando fora do país.