Três empresários presos em Cuiabá, capital de Mato Grosso, são investigados por suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas para Igor Barbosa da Silva, conhecido como “Igor Gordão”, apontado pela Polícia Civil como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Piauí. A conexão entre os investigados foi identificada durante a Operação Cactus, deflagrada nesta sexta-feira (16) em municípios do Piauí, Maranhão e Mato Grosso. Segundo o coordenador do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), delegado Samuel Silveira, os empresários mantinham ligação direta com Igor e são suspeitos de participar da movimentação de recursos ligados às atividades criminosas.
De acordo com o delegado, os três empresários presos em Mato Grosso já teriam respondido a processos relacionados ao tráfico de drogas naquele estado. A investigação aponta que, além da suspeita de envolvimento com o comércio ilegal de entorpecentes, eles também atuariam na ocultação da origem do dinheiro atribuído à facção. Para avançar na apuração, equipes da Polícia Civil do Piauí participaram das diligências em Cuiabá com apoio de policiais mato-grossenses, incluindo agentes da unidade especializada no combate ao narcotráfico. O objetivo é esclarecer como os valores eram transferidos e qual teria sido a participação de cada investigado no esquema.
As apurações também identificaram 11 empresas suspeitas de serem utilizadas para movimentar ou esconder recursos provenientes do tráfico. Conforme Samuel Silveira, algumas delas teriam existência apenas formal, sem atividade real, enquanto outras aparentavam funcionar normalmente, mas seriam usadas para lavar dinheiro. A polícia busca reunir informações sobre as operações financeiras e verificar a relação dos negócios com os investigados. A operação também resultou no bloqueio judicial de R$ 134 milhões em contas bancárias, além da apreensão de veículos e do sequestro de outros bens relacionados à investigação.
Igor Gordão foi preso em uma fazenda no município de Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão, a cerca de 400 quilômetros de Teresina. Segundo a polícia, o imóvel seria ligado ao investigado, que é apontado como uma das principais lideranças do PCC no estado. A operação também levou à prisão da esposa dele, conhecida como “Patroa”, apontada pelos investigadores como integrante da liderança do grupo em Teresina, e de um homem apelidado de “Radimar”, descrito como braço direito de Igor. As investigações continuam para esclarecer a atuação dos suspeitos, a origem dos recursos e o possível uso de empresas na lavagem de dinheiro.