O governador e candidato à reeleição Rafael Fonteles (PT) reconheceu, nesta terça-feira (4), que não será possível unificar o apoio de todos os prefeitos e parlamentares da base governista às candidaturas de Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) ao Senado. A declaração veio em resposta a uma pergunta sobre a adesão do deputado estadual Hélio Isaías (PT) ao senador Ciro Nogueira (PP), principal nome da oposição no Piauí.
Segundo o governador, o posicionamento de Hélio Isaías decorre de circunstâncias políticas locais e não representa uma ruptura do grupo. "O caso do Hélio é específico da realidade política da região dele. Vamos continuar dialogando para construir o maior entendimento possível em torno dos candidatos da base", afirmou Fonteles.
O apoio de Hélio Isaías a Ciro Nogueira não é um episódio isolado dentro da bancada petista. A deputada estadual Janaina Marques (PT) já havia declarado apoio ao senador de oposição, movimento seguido também pelo deputado estadual Thales Coelho (PT) este último sem romper publicamente com a orientação da base, mas eximindo-se de cobrar dos prefeitos aliados exclusividade em favor de Marcelo Castro e Júlio César, sob o argumento de que as alianças municipais seguem lógica própria.
Questionado sobre o tema, Fonteles reconheceu a limitação do esforço de convencimento, mas defendeu que o discurso seja levado ao eleitorado, e não apenas às lideranças
"É claro que nós vamos continuar tentando convencer cada um desses parlamentares e líderes da importância de apoiar Lula, apoiar Marcelo Castro e Júlio César. Nós vamos insistir nisso até o último minuto. Mas é claro que é impossível você ter isso de maneira absoluta, unânime. Sempre há questões locais que dificultam esse entendimento. Às vezes você não consegue convencer os líderes, mas consegue convencer o povo", pontuou.
Fonteles também elevou o grau de importância atribuído à disputa pelo Senado, colocando-a, em sua avaliação, acima até da própria disputa pelo Governo do Piauí. O argumento é o de que a composição da Câmara Alta será decisiva para garantir governabilidade a um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"O Senado é fundamental. Eu diria que essa eleição é até mais importante do que a minha, porque é ela que vai garantir governabilidade para o presidente Lula", declarou o governador.