Dois assassinatos registrados em pouco mais de dez anos dentro do Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu reacenderam o debate sobre a permanência da unidade em funcionamento. Levantamento do Jornal . Pacientes foram mortos em 2015 e em 2026 nas dependências do hospital, em situações que chamaram atenção pela falta de vigilância. No caso mais recente, a vítima foi Pedro Araújo da Silva, de 29 anos, morto na última quinta-feira (26).
Em 2015, um paciente foi encontrado sem vida em um quarto da instituição nas primeiras horas da manhã, e a suspeita recaiu sobre um colega de internação. Já neste ano, o crime só foi percebido após a fumaça se espalhar pela ala onde ocorreu o assassinato. Dois suspeitos foram presos e levados para a Cadeia Pública de Altos, mas podem ser considerados inimputáveis pela Justiça por terem diagnóstico de esquizofrenia.

No mesmo dia do crime mais recente, o Conselho Regional de Medicina do Piauí realizou vistoria na unidade e relatou problemas estruturais e falhas na segurança. Segundo o órgão, as obras estão paradas com apenas 25% concluídas, não há enfermeiro no turno da noite e o número de médicos é considerado insuficiente. Também foi apontada a ausência de segurança armada. O conselho informou que vai notificar a Secretaria de Saúde do Estado para adoção de medidas.
Especialistas em saúde mental defendem o encerramento das atividades do hospital e a transferência dos pacientes para a Rede de Atenção Psicossocial, como CAPS e Serviços Residenciais Terapêuticos. Representantes da OAB-PI e outras entidades também solicitaram informações oficiais e pediram autorização para inspeção no local. O Conselho Nacional de Justiça já recomendou a extinção de manicômios no país, dentro da política antimanicomial, que prevê atendimento em rede e internações apenas quando necessário e por curto período.

Dê sua opinião: