A defesa de Lucélia Maria Conceição da Silva, de 53 anos, pretende processar o Estado e pedir uma indenização de R$ 300 mil por danos morais e materiais. A mulher, que foi vizinha de duas crianças mortas por envenenamento em agosto de 2024, chegou a ser presa e teve sua casa incendiada devido a acusações levantadas contra ela. O caso aconteceu em Parnaíba, no litoral do Piauí.

  

Lucélia Maria, solta após meses presa acusada de envenenar crianças no litoral. Reprodução

   

O advogado da vítima, Sammai Cavalcante, afirmou que pedirá a extinção do processo. Segundo ele, a mulher vive com medo de represálias e evita sair de casa. Sem residência própria, atualmente ela mora de aluguel, pago com sua aposentadoria de um salário mínimo.

"Lucélia Maria é 100% inocente e passou por uma experiência brutal na cadeia, sofrendo ameaças de morte. Vamos pedir a extinção do processo, pois não há necessidade de produção de provas, já que houve a confissão de Maria dos Aflitos e a prisão de Francisco de Assis", disse Sammai Cavalcante.

Lucélia passou quatro meses e vinte dias na Penitenciária Feminina em Altos após ser presa sob suspeita de envenenar duas crianças. Ela foi solta em janeiro, após um laudo comprovar que não havia veneno nos cajus ingeridos pelos garotos.

O caso de Lucélia faz parte de uma trama maior que chocou o Piauí e o Brasil, envolvendo, ao todo, a morte de oito pessoas. Francisco de Assis Pereira da Costa, de 53 anos, e Maria dos Aflitos da Silva, de 52, estão presos sob suspeita de terem intoxicado a família com uma refeição preparada na virada do ano. Os dois sobreviveram, o que levantou suspeitas por parte da investigação de que tenham sido os responsáveis pelo crime.