Sábado, 11 de abril de 2026, 01:42
TERESINA

Imposto de Renda 2026 começa sob dúvidas e regras ainda em transição

Um dos principais pontos de confusão neste ano está relacionado às mudanças anunciadas pelo governo federal.

O prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 já está aberto e segue até o dia 29 de maio. Mesmo sendo uma obrigação anual conhecida pelos brasileiros, o início do período tem sido marcado por dúvidas recorrentes — especialmente sobre quem precisa declarar e quais regras já estão, de fato, em vigor.

Um dos principais pontos de confusão neste ano está relacionado às mudanças anunciadas pelo governo federal, como a ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês. Apesar da repercussão, a medida ainda não se aplica à declaração atual.

Isso ocorre porque o envio feito em 2026 leva em consideração os rendimentos obtidos ao longo de 2025. Ou seja, as novas regras só terão impacto prático na declaração que será entregue em 2027.

Segundo a contadora Carliane Queiroz, essa diferença entre o período declarado e as mudanças recentes tem gerado incerteza entre os contribuintes.

  
Contadora Carliane Queiroz. Foto: Reprodução.
 
 
 

“A maior dúvida inicialmente das pessoas é saber se ela deve ou não enviar a declaração. Se recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025, precisa declarar”, explica.

A especialista destaca que a falta de informação pode levar a problemas futuros, como irregularidades no CPF.

“Muitas vezes a pessoa só descobre que precisava declarar quando o CPF já está irregular. Por isso, é importante buscar orientação”, afirma Carliane.

Além da renda tributável, há outras situações que obrigam o envio da declaração, mesmo para quem não se enquadra nas faixas mais comuns. É o caso de contribuintes que tiveram receita elevada em atividade rural ou obtiveram ganho de capital na venda de bens.

Quem registrou receita bruta acima de R$ 177 mil com atividade rural, por exemplo, ou lucro superior a R$ 40 mil na venda de imóveis ou veículos, também deve prestar contas à Receita Federal.

Outro ponto de atenção está na etapa de preenchimento da declaração. Erros simples continuam sendo um dos principais motivos para retenção na chamada malha fina.

Entre as falhas mais frequentes está a inclusão de despesas que não podem ser deduzidas ou que não possuem comprovação adequada.

“Muitas pessoas incluem gastos que não são dedutíveis, como medicamentos, ou não têm nota fiscal para comprovar despesas. Isso pode levar diretamente à malha fina”, alerta Carliane.

De acordo com a contadora, apenas despesas específicas podem ser abatidas, como gastos com saúde, educação e planos, desde que devidamente comprovados. Já despesas com medicamentos, animais ou honorários advocatícios não entram como dedução.

Com o prazo em andamento, especialistas recomendam que o contribuinte organize documentos com antecedência e revise atentamente as informações antes do envio. A pressa de última hora, segundo eles, aumenta o risco de inconsistências.

Quem não entregar a declaração dentro do prazo está sujeito a multa e pode enfrentar restrições no CPF, o que pode afetar desde operações bancárias até a emissão de documentos.

Diante disso, a orientação é clara: entender as regras, acompanhar as mudanças e, em caso de dúvida, buscar apoio profissional para evitar problemas com o Fisco.

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