O deputado estadual Dr. Marcus Vinícius Kalume (PT) promove nesta quinta-feira (3), às 9h, na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), uma audiência pública para discutir a continuidade do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Conselho Regional de Educação Física (CREF15) e o Ministério Público Federal no Piauí (MPF-PI).

A reunião será realizada no Plenarinho Prado Júnior e terá como principal tema a situação dos profissionais formados em Licenciatura em Educação Física que atuam em academias de ginástica e musculação.

Atualmente, pela regra geral, a atuação em academias é destinada a profissionais com formação em Bacharelado em Educação Física, enquanto a licenciatura é voltada principalmente ao ensino na educação básica. O TAC permitiu excepcionalmente que licenciados continuassem exercendo atividades em academias no Piauí, diante da escassez de cursos de bacharelado e da demanda existente no estado.

Para Kalume, é necessário discutir alternativas antes do fim da validade do acordo, previsto para março de 2027.

Foto: ReproduçãoDeputado estadual Dr. Marcus Vinícius Kalume (PT).
Deputado estadual Dr. Marcus Vinícius Kalume (PT).

“O que a gente quer, de fato, é sempre colocar os profissionais tendo uma boa qualificação para que seja ofertada a todos os piauienses uma qualidade nos serviços, seja no público ou no privado. Impossibilitar, de uma hora para outra, vários pais e mães de família de exercerem a sua profissão e sustentarem suas famílias é algo que precisamos discutir.”

Segundo o deputado, mais de 3 mil profissionais licenciados podem ser afetados caso o TAC não tenha continuidade.

“São mais de 3.000 profissionais licenciados no estado, e todos serão atingidos negativamente se o TAC não tiver continuidade. A audiência quer ampliar o debate sobre o tema, contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao esporte, saúde e bem-estar daqueles que procuram qualidade de vida”, afirmou.

Kalume defende discussão sobre adequação

O parlamentar também defende que os profissionais tenham a possibilidade de se adequar às normas que regulamentam a atuação na área.

“Sendo bem prático, o que a gente quer é poder discutir aqui a possibilidade desses profissionais se adequarem ao que é feito na resolução.”

A discussão envolve também o entendimento sobre as competências atribuídas a cada modalidade de formação em Educação Física.

O presidente do Conselho Estadual de Educação do Piauí (CEE-PI), Carlos Alberto, afirmou que as áreas de atuação profissional são definidas pelas diretrizes curriculares e pela formação de graduação.

Foto: Maria Clara PaixãoPresidente do Conselho Estadual de Educação do Piauí (CEE-PI), Carlos Alberto.
Presidente do Conselho Estadual de Educação do Piauí (CEE-PI), Carlos Alberto.

“Isso está diretamente relacionado ao Conselho Nacional de Educação e às diretrizes curriculares nacionais, que definem a área de ação de todas as formações.”

Profissionais defendem atuação dos licenciados

Durante o debate, representantes da categoria também devem defender a permanência dos licenciados em atividades realizadas fora das escolas.

O educador físico Rodrigo Alves afirmou que os egressos de licenciatura da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) possuem formação que, segundo ele, permitiria atuação mais ampla.

Foto: Maria Clara PaixãoEducador físico Rodrigo Alves.
Educador físico Rodrigo Alves.

“Hoje estamos aqui como categoria reivindicando o direito da livre atuação dos egressos da licenciatura da UFPI e da UESPI. Esses profissionais tiveram um currículo mais extenso, respaldado na Resolução 03/87, que deveria habilitá-los para atuar dentro e fora das escolas — como personal trainer e na educação física escolar.”

Foram convidados para a audiência representantes do MPF-PI, Ministério Público do Piauí (MPPI), Associação dos Profissionais de Educação Física do Piauí (APEF-PI), CREF15, UFPI, UESPI, CEE-PI e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PI).