A investigação sobre um grupo suspeito de planejar a execução dos delegados Charles Pessoa e Ayslan Magalhães identificou possíveis conexões da organização criminosa fora do Brasil. Segundo a apuração, integrantes do grupo teriam ligação com estruturas do tráfico de drogas com ramificações na Bolívia e no Uruguai. As informações foram obtidas durante a operação que apura o investimento de aproximadamente R$ 1 milhão na preparação dos ataques.


Conforme a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), o grupo teria iniciado o planejamento depois de sofrer prejuízos com operações policiais contra o tráfico de drogas no litoral e no Norte do estado. Uma das ações ocorreu em Bom Princípio do Piauí, onde as forças de segurança apreenderam cerca de uma tonelada de entorpecentes, principalmente cocaína, parte dela encontrada escondida em recipientes e tambores enterrados em uma propriedade rural. Segundo o delegado Abimael Silva, a investigação apontou que as ameaças teriam evoluído para um plano concreto de ataque.


Durante a apuração, os investigadores identificaram que Charles Pessoa era acompanhado de forma sistemática. A rotina do delegado, incluindo horários frequentados em uma academia, deslocamentos e compromissos públicos, teria sido monitorada pelos suspeitos. Um dos ataques, segundo a investigação, estava previsto para ocorrer na quinta-feira (24), durante um evento político no bairro Mocambinho, na Zona Norte de Teresina. O plano teria sido descoberto pelo setor de inteligência antes da execução, levando as forças de segurança a realizar uma ação no local.


A investigação também aponta uma divisão de tarefas entre os suspeitos. De acordo com a polícia, havia pessoas encarregadas de selecionar executores, levantar dinheiro, conseguir veículos e armas e organizar a logística. Entre os investigados estão A.A.S., conhecido como “Pavão”; J.V.C., o “Meia-Noite”, apontado como responsável pela coordenação operacional; C.N.F., o “Barba”; A.D.P.N., chamado de “Fantasmão”; e A.L.F.S., conhecido como “André da Ilha”. Segundo a investigação, “Meia-Noite” teria recrutado executores de Fortaleza, enquanto os demais teriam desempenhado funções relacionadas à transmissão de ordens, logística e articulação entre integrantes. A apuração ainda aponta que alguns investigados continuariam atuando na organização mesmo após serem presos.