A Justiça do Piauí negou o pedido de revogação da prisão preventiva de Vitor Gomes de Carvalho, acusado de assassinar o próprio pai, Sebastião da Cruz de Oliveira, durante audiência de instrução e julgamento realizada nesta sexta-feira (17), na 3ª Vara do Tribunal Popular do Júri de Teresina.

A audiência teve início por volta das 12h, com a oitiva de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, além do interrogatório do réu. Encerrada a fase de instrução, o Ministério Público e a defesa terão prazo para apresentar as alegações finais, etapa que antecede a decisão sobre o prosseguimento da ação penal.
Ao fim da sessão, a defesa pediu a revogação da prisão preventiva e o relaxamento da custódia, sustentando que Vitor possui residência fixa, trabalha, estuda, é réu primário e que haveria excesso de prazo na tramitação do processo.
O magistrado, no entanto, rejeitou o pedido. Na decisão, destacou a gravidade do crime e a necessidade de manutenção da prisão para garantir a ordem pública.
"Trata-se de um crime gravíssimo, em que a violência foi empregada de forma evidente", registrou o juiz ao indeferir o pedido de revogação da prisão preventiva.
Apesar da decisão, o magistrado ressaltou que a situação poderá ser reavaliada quando for proferida a decisão que encerra a primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri.
Crime
Sebastião da Cruz de Oliveira foi morto no dia 26 de janeiro deste ano, dentro da residência onde morava com o filho, no bairro Santa Bárbara, zona Leste de Teresina.

De acordo com as investigações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o crime teria sido motivado por uma discussão após a vítima se recusar a entregar dinheiro ao filho para a compra de drogas. Vitor Gomes era usuário de entorpecentes e dividia a casa com o pai.
O acusado foi preso três dias após o homicídio, quando se apresentou em um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Em depoimento, ele confessou o assassinato.
Segundo o delegado Danúbio Dias, responsável pelas investigações, Vitor relatou que atingiu o pai diversas vezes com uma faca e, após a lâmina quebrar, utilizou uma pedra para continuar as agressões.
"Ele confessou que furou os olhos da vítima de forma intencional. Depois que a faca quebrou, pegou uma pedra que estava na cozinha e a lançou contra a cabeça do pai. Ao ver a cabeça esmagada, afirmou que começou a vomitar, tomou banho, pegou a motocicleta da vítima e fugiu", relatou o delegado.
O caso segue tramitando na Justiça e aguarda a conclusão da primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri, quando será decidido se o acusado será levado a julgamento pelos jurados.

Dê sua opinião: