A Polícia Civil do Piauí solicitou à Justiça a prorrogação do inquérito que investiga José Cleuton da Silva, preso durante a Operação Lente Oculta, deflagrada em Teresina no fim de maio. O homem é suspeito de gravar relações sexuais sem o conhecimento das mulheres envolvidas e comercializar os vídeos em grupos e canais do aplicativo Telegram. As investigações apontam que parte do material foi produzida há mais de uma década e continuava sendo divulgada recentemente.
Segundo a Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o suspeito utilizava perfis e ferramentas automatizadas na plataforma para vender o acesso aos conteúdos por R$ 75. As primeiras denúncias chegaram à polícia no dia 21 de maio, quando mulheres relataram ter descoberto a circulação das imagens. A partir dos relatos iniciais, outras vítimas procuraram a delegacia, e os investigadores acreditam que o número de pessoas afetadas pode ser ainda maior.

De acordo com a apuração policial, o investigado escondia câmeras em objetos posicionados nos locais onde os encontros aconteciam. A suspeita é de que os equipamentos fossem instalados de forma que as mulheres não percebessem a gravação. Ainda conforme a investigação, após registrar as cenas, ele organizava e divulgava o material na internet, promovendo os vídeos em canais voltados à venda de conteúdo pornográfico.
Além da suspeita de divulgação ilegal de cenas de sexo, crime que pode resultar em pena de reclusão e multa, o caso também envolve possíveis infrações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), já que algumas vítimas eram menores de idade na época dos fatos. Durante o cumprimento do mandado de prisão, os policiais encontraram na residência do investigado uma grande quantidade de bebidas alcoólicas, lacres e tampas de marcas conhecidas de uísque. O material será periciado para apurar indícios de falsificação. A Polícia Civil informou ainda que o Telegram atendeu ao pedido das autoridades e retirou do ar os conteúdos identificados durante a investigação.

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