A Justiça determinou o bloqueio de R$ 134 milhões em contas bancárias ligadas a investigados por suspeita de participação em um esquema financeiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida foi cumprida durante a Operação Cactus, deflagrada nesta sexta-feira (16) pelo Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) do Piauí. Entre os principais alvos está Igor Barbosa da Silva, conhecido como “Igor Gordão”, apontado pela polícia como líder da organização criminosa no estado. Ele foi preso em uma fazenda no município de Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão, a cerca de 400 quilômetros de Teresina.

De acordo com o coordenador do Denarc, delegado Samuel Silveira, a operação resultou na prisão de 10 pessoas, no cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão e na apreensão de cinco armas de fogo e drogas encontradas em diferentes endereços. As equipes também localizaram 62 veículos, que foram apreendidos por determinação judicial, além de imóveis e outros bens vinculados aos investigados. As diligências ocorreram em municípios do Piauí, Maranhão e Mato Grosso, com o objetivo de atingir tanto os integrantes da facção quanto a estrutura utilizada para movimentar recursos suspeitos.

As investigações também identificaram 11 empresas que, segundo a polícia, podem ter sido utilizadas para ocultar a origem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Conforme o delegado, parte dos negócios teria funcionamento fictício, enquanto outros aparentavam atuar regularmente, mas seriam usados para lavagem de dinheiro. A esposa de Igor, conhecida como “Patroa”, também foi presa. Ela é apontada pelos investigadores como uma das responsáveis pela liderança da facção em Teresina. Outro alvo detido foi um homem conhecido como “Radimar”, descrito pelo Denarc como braço direito de Igor Gordão.

Entre os patrimônios atingidos pelas decisões judiciais está um apartamento localizado na zona Leste de Teresina, que teria sido comprado por Igor por R$ 300 mil, com pagamento à vista. Além do bloqueio de valores em contas bancárias, a Justiça determinou o sequestro de veículos, imóveis e outros bens que podem ter sido adquiridos com recursos de atividades criminosas. Segundo o delegado Samuel Silveira, as investigações continuarão para apurar a origem do patrimônio e esclarecer a possível ligação de outros bens, incluindo a fazenda no Maranhão, com os crimes investigados.