O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias (PT), criticou nesta quinta-feira (22), em Teresina, a proposta atribuída à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) de estabelecer um período de dois anos para a transição de famílias beneficiárias do Bolsa Família. Para o ministro, a definição de um prazo fixo não considera as diferentes condições econômicas e sociais enfrentadas por quem depende do auxílio. A declaração foi feita durante uma ação de entrega de alimentos da agricultura familiar na zona Sul da capital piauiense.

Durante a entrevista, Wellington afirmou que a saída do programa deve estar ligada à ampliação das oportunidades de trabalho, qualificação profissional e geração de renda. Segundo ele, o combate à pobreza também depende do acesso à educação, à saúde e a condições que permitam às famílias alcançar autonomia financeira. O ministro argumentou que a assistência social não deve estabelecer apenas uma data para o desligamento dos beneficiários, mas criar condições para que eles consigam melhorar de vida.

Wellington também rebateu a afirmação de que pessoas atendidas pelo Bolsa Família não teriam interesse em trabalhar. Como argumento, citou dados segundo os quais 85% das novas vagas de emprego criadas no Brasil desde 2023 foram ocupadas por pessoas vinculadas ao programa. O ministro mencionou ainda que cerca de 1,3 milhão de famílias por ano têm integrantes concluindo cursos técnicos ou de ensino superior. Os números foram apresentados por ele durante a entrevista, sem detalhamento adicional da fonte dos dados no material divulgado.

Além da transferência de renda, o ministro defendeu iniciativas voltadas à agricultura familiar, ao cooperativismo e ao empreendedorismo como formas de ampliar as oportunidades econômicas. Wellington afirmou que experiências de produção coletiva podem ajudar famílias a superar a pobreza e reforçou sua defesa da continuidade do Bolsa Família. As declarações ocorrem nos últimos dias da campanha presidencial de 2026. A entrevista não apresentou a íntegra da proposta atribuída a Flávio Bolsonaro nem um posicionamento do candidato sobre as críticas feitas pelo ministro.