Quem nunca precisou localizar uma cidade, um prédio ou a casa de um amigo tendo como base um “ponto de referência” que ajudasse a indicar o caminho certo? Muitas vezes, essa referência pode ser uma árvore gigantesca, um prédio público movimentado ou uma praça arborizada. Mas, no Monte Everest, o ponto de referência pode assumir uma forma nada convencional — e até mesmo sombria.
Mais de 200 corpos jazem no Everest. Um deles, congelado há décadas em uma cavidade rochosa da chamada “zona da morte”, próxima ao cume, tornou-se um dos mais conhecidos. Trata-se de Dorje Morup, um cabo da polícia militar que desapareceu na montanha gelada em 10 de maio de 1966. Para os aventureiros que arriscam a vida nas alturas, porém, ele ficou conhecido como “Botas Verdes”, por causa das botas de montanhismo verde-limão, que permaneceram visíveis e que, durante anos, serviram como um macabro ponto de referência para quem tentava desafiar a montanha.
Agora, o “Botas Verdes” pode estar prestes a ser definitivamente retirado do Everest e entregue à família para receber um enterro digno. A Índia, seu país de origem, prepara uma grande operação para resgatar o corpo. A missão é extremamente arriscada e envolve altos custos. Estima-se que um corpo congelado a cerca de 8.500 metros de altitude possa pesar aproximadamente 200 quilos, e que o resgate custe perto de 80 mil dólares.
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A previsão é de que o resgate ocorra durante o mês de outubro. Os preparativos estão sendo cuidadosamente estudados pelo governo indiano.
Dorje Morup poderá, finalmente, receber um enterro digno. E o “Botas Verdes” deixará de ser apenas um ponto de referência no alto e gelado Everest. Talvez, no futuro, quando um aventureiro ultrapassar seus próprios limites na montanha, já não seja possível dizer, com a frieza de quem encara a morte como parte do desafio: “Fui até depois do Botas Verdes”.