A desembargadora aposentada Sandra Inês Moraes Rusciolle Azevedo viajou para Portugal no dia 21 de setembro, enquanto enfrentava as consequências judiciais de uma investigação iniciada no âmbito da Operação Faroeste, da Polícia Federal.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Sandra Inês e outros três réus foram condenados por participação em um esquema de venda de sentenças judiciais na Bahia. O grupo favorecia uma empresa que disputava a posse de terras no oeste do estado.
Sandra Azevedo já havia sido aposentada compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em dezembro de 2024, com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. A decisão ocorreu em outro processo, envolvendo um esquema de "rachadinhas", no qual servidores do gabinete que ela comandava eram obrigados a repassar parte de suas remunerações.
Na condenação relacionada à Operação Faroeste, a desembargadora recebeu uma pena superior a 14 anos de reclusão. Seu filho, o advogado Vasco Rusciolelli, foi condenado a mais de 13 anos, em regime inicial fechado. Já o empresário Nelson José Vigolo e o advogado Vanderlei Chilante receberam penas mais brandas.
A viagem para Portugal estaria relacionada ao fato de Sandra Azevedo possuir cidadania portuguesa. Essa condição poderia dificultar sua extradição para o Brasil, uma vez que a legislação portuguesa não permite a extradição de seus nacionais para cumprimento de pena no exterior. Nesse cenário, eventual cumprimento da condenação em território português dependeria da homologação da sentença pelas autoridades judiciais daquele país.