Piauí ainda pode ter chuva em junho e B-R-O-Bró mais intenso em 2026

Defesa Civil aponta possibilidade de chuvas isoladas até o fim do mês e prevê temperaturas mais elevadas no segundo semestre.

Mesmo com os primeiros sinais da estação seca já sendo sentidos em diferentes regiões do Piauí, o estado ainda pode registrar episódios de chuva até o encerramento de junho. A previsão foi apresentada pelo climatologista e diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, Werton Costa, que aponta a permanência de condições atmosféricas favoráveis para precipitações isoladas entre o Norte e o Sul do estado nos próximos dias.

Segundo o especialista, o cenário atual é resultado da atuação simultânea de sistemas meteorológicos que influenciam diretamente o território piauiense. Entre eles estão o avanço de frentes frias pelo Sul do país e o transporte de umidade vindo da faixa litorânea entre Alagoas e Sergipe. A combinação desses fatores contribui para a formação de nuvens carregadas e aumenta a possibilidade de chuva, inclusive em áreas que já apresentam redução no volume de precipitações.

  
Chuvas no Piauí. 
 
 
 

Apesar dessa expectativa para o fim do mês, a tendência para os próximos meses é de intensificação do tradicional período conhecido como B-R-O-Bró, marcado por calor mais forte, baixa umidade do ar e aumento da radiação solar. De acordo com Werton Costa, o comportamento climático deste ano indica um cenário mais rigoroso que o observado em 2025, impulsionado pela redução mais acelerada da umidade e pela possibilidade de influência do fenômeno El Niño.

O climatologista também chamou atenção para eventos extremos registrados recentemente no estado. Em Piracuruca, uma chuva acompanhada por ventos intensos provocou danos em residências, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia. O fenômeno foi identificado como microburst, ou microexplosão atmosférica — ocorrência considerada incomum e caracterizada por correntes de vento muito fortes que descem rapidamente das nuvens e podem causar impactos significativos em áreas urbanas e rurais. Segundo o especialista, a recomendação é acompanhar os alertas meteorológicos e adotar medidas preventivas, especialmente durante os meses mais quentes do ano.