A Justiça do Piauí converteu, nesta sexta-feira (17), a prisão temporária do empresário Douglas Fonseca Araújo, fundador e CEO da DF Group, em prisão preventiva. A decisão mantém o investigado no sistema prisional, poucas horas após a defesa confirmar que havia obtido um habeas corpus autorizando sua soltura.
Com a nova determinação judicial, Douglas permanecerá preso enquanto prosseguem as investigações sobre o suposto esquema de pirâmide financeira atribuído à empresa.
A Polícia Civil aponta Douglas como líder de uma organização criminosa suspeita de captar recursos de investidores com a promessa de rendimentos mensais de até 10%. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), os pagamentos deixaram de ser realizados, provocando uma série de denúncias. Até o momento, mais de 500 vítimas formalizaram reclamações junto à Polícia Civil e à Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon/Sudecon).
As investigações indicam que a DF Group movimentou cerca de R$ 100 milhões em aproximadamente dois anos de atuação. A operação contra o grupo foi deflagrada em 10 de julho, quando Douglas e outros nove investigados foram presos. No dia seguinte, um décimo primeiro suspeito se apresentou espontaneamente às autoridades.
Além das prisões, a Justiça determinou a interdição das atividades da empresa, o bloqueio de contas bancárias, a apreensão de veículos e o cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Durante o andamento das investigações, o delegado Matheus Zanatta revelou que o bloqueio judicial encontrou apenas R$ 38 na conta pessoal de Douglas Fonseca. Nas contas vinculadas à DF Group foram localizados cerca de R$ 5 mil.
Os valores contrastam com o padrão de vida exibido pelo empresário nas redes sociais, onde frequentemente publicava imagens de viagens, veículos de luxo e outros bens de alto valor.
Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava uma estrutura organizada para captar novos investidores e ocultar a origem dos recursos movimentados, levantando suspeitas da prática de estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes eletrônicas.
Entre as vítimas estão investidores de diferentes perfis, inclusive membros de igrejas de Teresina, que afirmaram ter aplicado recursos após receberem indicações de pessoas próximas ao grupo.
Além de Douglas Fonseca, também foram presos Ícaro Teixeira de Sousa, Milena Alves Torres, Viviane Alves da Silva, Eduardo Lima de Sousa, Jaquenilson Alvino de Sousa Abreu, Janda Maira de Sousa Silva, Caio Guilherme Campelo, Caio Fonseca Araújo e Vitória Gabriel Conceição Fonseca Araújo. Um investigado segue foragido.
A Polícia Civil continua ouvindo vítimas e reunindo documentos para concluir o inquérito, que apura a atuação do grupo e a extensão dos prejuízos causados aos investidores.