Alta taxa de hanseníase coloca o Piauí entre os estados mais afetados do país

Estado apresenta nível considerado alto da doença, segundo boletim epidemiológico de 2025.

O Piauí está entre os estados com maior taxa de detecção de hanseníase no Brasil, ocupando a quinta posição no ranking nacional. Os dados constam no Boletim Epidemiológico de Hanseníase 2025, que classifica o estado com índices elevados da doença. Mesmo com avanços no combate, a hanseníase segue como um desafio para a saúde pública, especialmente em regiões com grandes desigualdades sociais.

De acordo com a médica dermatologista Lívia Martins, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI), o diagnóstico tardio é um dos principais fatores para os números elevados. Segundo ela, muitos pacientes chegam ao serviço já com sinais avançados da doença, o que aumenta o risco de sequelas. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento mais cedo e evitar danos permanentes.  

Hanseníase Reprodução
   

O HU-UFPI atua como referência no atendimento de casos mais complexos, oferecendo consultas, acompanhamento ambulatorial e internações quando necessário. A unidade também atende pacientes encaminhados pela rede básica de saúde e realiza o diagnóstico, o controle das reações da doença e ações para prevenir incapacidades, com apoio de equipes multiprofissionais.

A infectologista Thallyta Antunes explica que a hanseníase é transmitida pelas vias respiratórias, apenas por pessoas que ainda não iniciaram o tratamento, e exige contato próximo e prolongado. Ela reforça que seguir corretamente o tratamento é essencial para evitar complicações e resistência aos medicamentos. Após o início da medicação, o paciente deixa de transmitir a doença e pode seguir o acompanhamento pela rede de saúde.