Antônio José Lira entrou na queda de braço interna do Avante com uma única pretensão: assegurar o aval da direção nacional para disputar o Senado. Gustavo Henrique Feijó (Então mandatário da sigla no Piauí) permaneceria no comando da legenda e conduziria o processo eleitoral. O desfecho, porém, foi outro.

Nos bastidores, consolidou-se a percepção de que Gustavo Henrique, embora sustentasse um discurso de independência partidária, passou a capitanear um processo de esvaziamento político de Lira. A estratégia foi rifar sua pré-candidatura ao lançar outros dois nomes para a corrida ao Senado, inviabilizando qualquer espaço ao ex-vereador.
Lira, contudo, jamais recuou. Do início ao fim, sustentou possuir o aval do presidente nacional do Avante, deputado federal Luís Tibé. A convicção parecia isolada, sobretudo diante da correlação de forças construída no Estado, que apontava para o isolamento definitivo do ex-parlamentar.
Foi justamente na reta final que o tabuleiro virou. Em uma articulação silenciosa junto à executiva nacional, que contou com o respaldo do senador Ciro Nogueira (Progressistas), Antônio José Lira não apenas preservou sua candidatura ao Senado como também retomou o controle político da legenda.
A nova executiva estadual, já encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral, será presidida pelo advogado Adiel Rodrigues Brito, homem de confiança de Lira. O ex-vereador ocupará a vice-presidência, posição que lhe garante liberdade para a disputa majoritária.
O rearranjo também redefine o posicionamento político do Avante. A tendência é de que a legenda desembarque definitivamente no campo oposicionista, integrando o palanque de Elizeu Aguiar (Novo), com Antônio José Lira na segunda vaga ao Senado.
No fim das contas, Lira conquistou mais do que buscava. Entrou na disputa por uma candidatura e saiu dela com o comando do partido.

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