Sexta, 08 de maio de 2026, 08:34

Lucas Sousa

COLUNA

Porque ninguém dá certo no PL Piauí de Tiago Junqueira?

Por Lucas Sousa.

Desde que chegou ao comando do diretório estadual do Partido Liberal no Piauí, o empresário Tiago Junqueira pouco conseguiu mostrar da missão política que diz carregar ao assumir a sigla. Em vídeos nas redes sociais, Tiago afirma ter sido enviado pelo “Messias” referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro para comandar o PL no estado.

Mas, nos bastidores, o cenário é outro.

Empresário bem-sucedido no agronegócio, Tiago conseguiu prosperar no Piauí quando o assunto foi investimento privado. Porém, na política, interlocutores da própria sigla afirmam que o presidente do partido não conseguiu construir unidade, muito menos formar um grupo sólido ao seu redor.

A poucos meses das eleições, o PL enfrenta dificuldades para fechar chapas competitivas tanto para deputado estadual quanto federal. Para o Senado, o único nome consolidado é o do próprio Tiago. Já para o Governo do Estado, o partido aposta no jornalista Toni Rodrigues, alguém respeitado na comunicação, mas sem histórico eleitoral.

O problema, segundo fontes ouvidas pela coluna, é a falta de articulação.

Aliados afirmam que Tiago “sabe lidar melhor com o agronegócio e com animais do que com pessoas”. A frase, repetida nos bastidores, resume o ambiente interno da legenda.

Desde que assumiu o comando do partido, Tiago acumulou desgastes com lideranças importantes. Vereadores como Luís André e Leonardo Eulálio, dois dos principais nomes do PL em Teresina, praticamente não circulam mais pela sigla, reflexo, segundo aliados, da falta de comando político dentro do partido.

Outro episódio que repercutiu nos bastidores foi a passagem do ex-deputado Mainha pelo partido. Tiago chegou a lançá-lo como pré-candidato ao Governo do Estado, mas, segundo interlocutores da coluna, o próprio presidente teria trabalhado internamente para inviabilizar Mainha e abrir espaço para Toni Rodrigues.

Em outro momento, ainda segundo fontes ouvidas pela coluna, Tiago Junqueira teria discutido por telefone com o senador Ciro Nogueira, um dos principais articuladores para que ele assumisse o comando do PL no Piauí, após movimentações em Brasília que retiraram o controle da sigla do médico e vereador Leonardo Eulálio. A discussão teria ocorrido após divergências sobre posicionamentos políticos relacionados ao senador por se colocar contrário a impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Além da falta de tato político, Tiago também é criticado por aliados por não fazer críticas mais contundentes ao Governo do Estado, comandado pelo governador do PT, apesar do discurso público contrário à esquerda e ao petismo. Segundo interlocutores, Tiago também teria obtido avanços em processos ligados a licenças ambientais durante a atual gestão estadual, tema que já lhe trouxe problemas no passado.

Em 2016, Tiago chegou a ser preso durante a Operação Natureza, investigação relacionada à obtenção de licenças ambientais. Posteriormente, foi solto e o processo acabou arquivado.

As reclamações não param na articulação política.

Fontes da legenda, sob reserva, descrevem Tiago como rude, grosseiro e de difícil convivência com assessores e lideranças partidárias. O ambiente interno do PL virou uma sucessão de crises.

Um dos episódios mais polêmicos envolveu a então secretária-adjunta do partido, Denise Xavier, afastada após ser alvo de comentários e acusações de colegas que a chamavam de “macumbeira”, depois da circulação de rumores envolvendo um suposto despacho na sede da sigla.

Outro caso emblemático foi o da ex-presidente do PL Mulher, Gessy Lima, que deixou o cargo alegando falta de autonomia e perseguições internas. Nos bastidores, aliados dela apontavam desgaste direto com a esposa de Tiago Junqueira e com a então dirigente do PL Mulher, Frida Diedrich.

A crise ganhou novos capítulos recentemente.

Frida Diedrich publicou nota afirmando ter sido vítima de misoginia dentro do partido. Segundo ela, durante uma reunião na sede do PL, Tiago Junqueira a teria ofendido com xingamentos pesados na frente do próprio marido.

“Infelizmente, nos últimos acontecimentos internos, fui agredida verbalmente pelo presidente do partido, que me chamou de ‘filha da puta’ e ‘pau no cu’. Os desgastes emocionais afetaram profundamente minha saúde psicológica. Tentei até suicídio. Tenho todos os laudos.”

Após a declaração, Frida anunciou sua saída da presidência estadual do PL Mulher.

Diante da sequência de crises, rompimentos e afastamentos, a pergunta que ecoa nos bastidores é: por que ninguém consegue permanecer no PL de Tiago Junqueira?

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