Terça, 31 de março de 2026, 17:46

Xadrez na Política

SENADO

MDB, PP ou PSD no Senado

Arnaldo Eugênio Doutor em Antropologia

As eleições gerais de 2026, no Brasil, prometem ser uma das mais disputadas, com mudanças, acordos políticos e apoios cruzados, que podem guardar muitas surpresas, reviravoltas e decepções até às convenções partidárias.

No Piauí, como reflexo nacional, as disputas internas, os embates entre os partidos, as trocas de partidos por parte de candidatáveis e o surgimento de “novos nomes”, modulam um cenário atípico, onde a ideologia partidária tem pouca ou nenhuma relevância eleitoral.

Nesse contexto, o ruidoso fato político de rompimento da coligação cruzada entre MDB e PSD, ambos aliados na base governista, poderá até não impactar numa possível reeleição do governador Rafael Fonteles (PT), mas, afetará as reeleições dos senadores Ciro Nogueira (PP) e Marcelo Castro (MDB), com possibilidade de favorecer a eleição de Júlio César (PSD), através de um apoio cruzado municipalista.

Pois, a direção nacional do PSD tem uma carta na manga para usar conforme a definição de apoiar ou não ao presidente Lula (PT). Ou seja, quanto mais o MDB “esticar a corda” com o PSD, mais favorecerá uma possível parceria deste com o PP, para compor uma chapa majoritária de oposição com Joel Rodrigues (PP) e Georgiano Neto (PSD). E, com isso, levar a eleição majoritária para o 2º turno, onde todos os opositores tenderão a se unir contra o PT.

Assim, quando os mdebistas, e, também, os petistas se antecipam, em nome da eleição e reeleição de preferidos partidários, preterindo os seus suplentes e os aliados do PSD, cria o cenário ideal para as bases municipalistas cobiçosas – incluindo a terceira via – se sentirem à vontade para orientar as intenções de votos para Ciro Nogueira (PP) e o Júlio César (PSD) em detrimento da reeleição de Marcelo Castro (MDB).

Nesse sentido, a priori, a decisão do MDB em romper a coligação cruzada com o PSD, não afeta uma possível reeleição do governador Rafael Fonteles (PT) – até porque não foi o objetivo do rompimento. Porém, é um fato político que, a depender dos acordos nacionais, poderá, sim, favorecer, indiretamente, a primeira e segunda intenção de voto ao Senado, respectivamente, em Júlio César (PSD) e Ciro Nogueira (PP).

Todavia, não se deve, com isso, desconsiderar a força política do senador Marcelo Castro (MDB), mesmo que a decisão dos mdebistas lhe cause algumas dificuldades.  O fato é que a insatisfação dos suplentes e das bases municipalistas poderá favorecer o apoio cruzado a Ciro Nogueira (PP) e a Júlio César (PP), pavimentando um sonho da oposição, já planejado há anos, ou seja, Georgiano Neto (PSD), governador do Piauí, em 2030.

 Pois, o Brasil, em especial o Piauí, experimenta governos de esquerda ou alinhados há mais de 20 anos, contra apenas 4 anos de ruptura com a direita, que, atualmente, tem a maior bancada no Congresso Nacional e se articula nos estados para tomar o poder político.

Nesse contexto, só a habilidade política de Wellington Dias (PT) – em defesa dos seus interesses partidários e, inclusive, pessoais –, o ímpeto do governador Rafael Fonteles (PT) e o vigor dos “rafaboys”, não irão conter o apoio cruzado dos municipalistas em dois dos três nomes para as duas vagas ao Senado, mesmo que assegurem a reeleição do presidente Lula (PT).

Ainda mais, se o rompimento entre MDB e PSD estimular as bases vorazes da terceira via, por conveniência política, a se articularem e orientarem o segundo voto ao Senado, em Júlio César (PSD) ou Ciro Nogueira (PP). E, também, ajudar a oposição a levar a eleição majoritária para o 2º turno. Isso pressionará a base governista a ter que garantir a reeleição de Rafael Fonteles (PT) logo no 1º turno.

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