Sábado, 21 de março de 2026, 17:20

Xadrez na Política

COLUNA

ACORDOS POLÍTICOS AO VENTO

Por Arnaldo Eugênio, doutor em Antropologia.

Corroborando, principalmente em “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel, de que o realismo pragmático na política é “a necessidade de o governante manter o poder e a importância de ser temido, mas não odiado”, aqui, tento refletir sobre a ação baseada na necessidade (virtù) e a adaptação às circunstâncias.

No Piauí, os dependentes, direta e indiretamente, da reeleição do presidente Lula – o mais expressivo líder da esquerda política no mundo, nos últimos 30 anos, e sem substituto imediato no Brasil –, jogam ao vento os seus acordos políticos dúbios, envolvendo velhos e (quase) novos atores hobbesianos, afim de manter ou de tomar o poder, em 2026, alheios à vontade popular.

Óbvio, os acordos políticos são fatos políticos, mesmo sem qualquer prévio aval da maioria do povo – o verdadeiro “dono do poder”. Pois, são feitos para realizar os interesses da classe política, supondo a inexistência de uma consciência política ou necessidade da prevalência de uma ideologia partidária específica.

 Do lado governista pró-Lula, tenta-se obscurecer um latente duelo egoico, partidário e multifacetado entre o grupo de vanguardistas petistas unidos ao “ministro-criador” e os neopetistas apadrinhados pela “criatura-paternalizada”, visando manter o poder e os seus privilégios, em nome da continuidade do governo e aliados.

Do lado oposicionista de vertente bolsonarista circunstancial, o balão de ensaio progressista ginofóbico do “líder-master” escolheu um “cavalo partidário” de duvidoso apelo popular (local) e apoio municipalista (cobiçoso), preterindo uma mulher pela misoginia política.

Nesse entabulamento, a terceira via é apenas um espólio vencido, composta por preteridos e preteridas pelos partidos que impõem a polarização política e os veem como uma força insipiente. Mas, se ela for estratégica, poderá quebrar a polarização política nas eleições de 2026.

Na visão de Maquiavel, “a melhor fortaleza que existe é não ser odiado pelo povo, pois mesmo que possuas fortalezas, se o povo lhe odiar, elas não te salvarão”. Assim, mesmo não sendo tão diferentes dos seus algozes políticos – situacionistas e oposicionistas –, a terceira via pode encontrar mecanismos para fragmentar os “acordos majoritários”, se refletir os interesses do povo, sem populismo barato ou disfarce de novo.

Para Karl Marx, “a política é a expressão da luta de classes, subordinada à estrutura socioeconômica (sociedade civil)” – que os acordos políticos ignoram –, mas, que, se a terceira via, compreender e souber usar a assertiva, terá condições de construir seu espaço nas eleições de 2026.

Nesse sentido, a terceira via tem como desintegrar “os acordos ao vento” até o dia da eleição, apresentando um projeto de desenvolvimento do estado como uma alternativa viável. Pois, os “acordos da situação e da oposição” são subterfúgios para uma polarização política que beneficie, preferencialmente, a eleição e reeleição de “escolhidos”, à revelia da vontade popular e da impermanência na política.

 Na verdade, os acordos políticos de longo prazo são como castelos de areia, ou seja, insustentáveis devido a dinâmica da política e dos interesses difusos dos grupos políticos. Na caixa de pandora da política tudo muda e se mistura o tempo todo. E, quando a política joga fora, os “líderes de hoje” poderão se tornar os “esquecidos de amanhã; os aliados se tornarem rivais etc.

Nesse sentido, tais acordos políticos trazem consigo incongruências internas e não têm ancoragem ideológica, além do poder pelo poder. O objetivo é aprisionar o eleitorado no agridoce da situação ou no acridoce da oposição até as eleições.

Portanto, em ambos, a questão é que quem está dentro não quer sair e quem está fora quer entrar. Os acordos revelam mais sobre o apego ao poder – pessoal, familiar e partidário – do que sobre os interesses do povo – o ator principal do filme eleitoral.

Leia Também

Dê sua opinião: