Sexta, 04 de abril de 2025, 11:16

Xadrez na Política

COLUNA

Não é qualquer réu

Por Arnaldo Eugênio, doutor em Antropologia.

No último dia 26/03, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, aceitar a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) e tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados criminados (ou “núcleo central”) por 1) tentativa de golpe de Estado, 2) tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, 3) organização criminosa, 4) dano qualificado e 5) deterioração de patrimônio tombado.

Ademais, o ex-presidente golpista (STF/PGR) não é qualquer réu e nunca foi um estadista, pois desde a década de 1980 revela um ethos escuso, através de atos de inabilidade em gestão, misoginia, indisciplina, sabotagem e deslealdade no Exército Brasileiro. Durante a pandemia de Covid-19, ele mostrou-se um atroz, adotando um discurso desumano e uma postura debochada diante da morte de milhares de pessoas e dores familiares.

Diante dos fatos, a admissibilidade da denúncia da PGR pelo STF traz, à luz do Estado de Direito, uma sensação de justiça vindoura e alento para milhares de brasileiros, que foram humilhados e enganados por um desgoverno – que já nasceu brochado. Experimentou-se um arremedo de governança pública por um gestor acéfalo, sustentado em fake news, “gabinete do ódio” e idolatria de falsos patriotas – os cúmplices na intentona.

 Com isso, o país foi mergulhado em um retrocesso político e econômico durante o desgoverno de Jair Bolsonaro (PL), deixando consequências negativas profundas, que levarão décadas para serem sanadas. Por exemplo, entre janeiro e julho de 2023, mais de 315 mil microempresas encerraram atividades, e aumentou as desigualdades e injustiça social – um desmantelo socioeconômico.

Por isso, não será um julgamento insignificante, mas deve ser exemplar, já que não se trata de qualquer réu. O ex-presidente denunciado pela intentona golpista deixou um cenário de desmonte institucional, que já era mostrado pelos movimentos populares e a sociedade civil durante a gestão de extrema direita.

Segundo o relatório Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), o processo de desmonte da coisa pública se deu com a desestruturação do Executivo Federal, “entregue a forças privatizantes ou fundamentalistas”, para permitir o aparelhamento estatal. Além disso, a "eliminação física daquelas pessoas, das comunidades e dos povos que não interessam ao projeto fascista e a sua base política.”

Assim, é importante relembrar o descaso, a insensatez e a empáfia do falso patriota que, enquanto aumentava o número de vítimas e as dores de milhares de famílias durante a pandemia de Covid-19, ele e o seu exército de insensíveis, sem compaixão, não se cansaram de verbalizar, de desdenhar e de reiterar se tratar de uma “situação superdimensionada”: negacionismo.

Para o “senhor da perversidade”, a economia era a prioridade; a cloroquina, o ouro de tolo; e o “cercadinho do Alvorada”, o palco para as ruminações deletérias e saciar a histeria de manada. Daí veio o superávit primário de R$ 54 bilhões em 2022: alcançado “à custa das mortes por covid-19, da fome, da pobreza e do desemprego.”

Nesse sentido, a intentona golpista foi o ápice do grau de periculosidade “do “núcleo central”. Pois, antes de chegar à Presidência da República, o agora “réu golpista” já havia confessado que, em 1987, elaborou um plano que previa a explosão de bombas em quartéis e outros locais estratégicos no Rio de Janeiro. Contudo, ele, à época, se intitulava como “um cidadão brasileiro cumpridor dos meus deveres, patriota e portador de uma excelente folha de serviços.” (?????????)

Portanto, sem precisar forjar fatos ou “pesca probatória”, a verdade foi revelada e a justiça não é “gripezinha”.

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