A Fundação Municipal de Saúde (FMS), por meio do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), confirmou laboratorialmente três casos de Febre do Oropouche em Teresina. Os pacientes foram atendidos na Unidade de Pronto Atendimento do Renascença, em março desde ano, dois deles eram residentes da zona Sudeste da capital.

  

febre Oropouche em Teresina Reprodução
   


“Os pacientes não estiveram em outra cidade ou estado recentemente – o que leva a crer em transmissão autóctone, embora ainda não se possa determinar o local exato onde foram infectados”, comenta Walfrido Salmito, diretor de Vigilância em Saúde da FMS. Eles apresentavam suspeita inicial de dengue, receberam medicações, tiveram amostras de sangue colhidas e foram liberados para tratamento domiciliar. Entretanto, os testes para dengue resultaram negativos. Os casos foram confirmados por exames de biologia molecular (RT-PCR) realizados no Laboratório Central de Saúde Pública do Piauí Dr. Costa Alvarenga (LACEN-PI).

Walfrido Salmito também explica que a detecção destes casos é considerada um evento atípico, visto que a doença não é considerada endêmica no Piauí: “Em 2021, a FMS divulgou a confirmação laboratorial do primeiro caso da doença no estado. À época, levantamento de campo realizado pela Zoonoses em parceira com o Instituto Evandro Chagas identificou a presença do mosquito transmissor da febre Oropouche no entorno do domicílio do paciente. Desde então, mais oito casos apresentaram testes positivos para infecção pelo vírus Oropouche, porém por métodos sorológicos que, por natureza, são mais sujeitos a reações cruzadas e a resultados inconclusivos, afirmou".

A transmissão da febre Oropouche é feita principalmente por mosquitos. Depois de picar uma pessoa ou animal infectado, o vírus permanece se multiplicando no mosquito por alguns dias. Quando esse mosquito pica outra pessoa saudável, pode transmitir o vírus para ela. Existem dois tipos de ciclos de transmissão da doença, silvestre e urbano. No primeiro, animais como bichos-preguiça e macacos são os hospedeiros do vírus. O mosquito Culicoides paraenses, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, é considerado o principal transmissor nesse ciclo. Quanto ao ciclo urbano, os humanos são os principais hospedeiros do vírus e o maruim também é considerado como principal vetor. Entretanto, mosquitos da espécie Culex quinquefasciatus (um tipo de “muriçoca”) é comumente encontrado em ambientes urbanos e pode, ocasionalmente, transmitir o vírus Oropouche aos humanos.

Quais são os sintomas de febre oropouche?  

Os sintomas da febre oropouche são similares aos das outras arboviroses, sendo difícil diferenciá-los das demais. É comum haver: Febre; Dor de cabeça; Dor muscular; Dor nas articulações; Surgimento de manchas na pele; Náuseas; Diarreia.

Como é feito o diagnóstico?  

O diagnóstico de febre oropouche é feito com base nos sintomas do paciente, na história epidemiológica e nos exames laboratoriais. No início da doença, o diagnóstico pode ser realizado a partir de testes que identificam a presença do vírus, como o PCR. Já em quadros clínicos mais tardios, pode ser realizada a sorologia (ou seja, a pesquisa de anticorpos produzidos em resposta à infecção). Ambos os procedimentos dependem da coleta de uma amostra de sangue do paciente.

Qual é o tratamento para febre oropouche?  
Não há um tratamento específico para a febre oropouche. Em geral, o paciente é orientado a ficar em repouso e, a depender do quadro, são feitas medicações sintomáticas para controlar, por exemplo, a dor e a febre.

Como prevenir a doença?  
Para prevenir a febre oropouche, é necessária a adoção de medidas para evitar o contato com mosquitos. Portanto, recomenda-se: Usar repelente; Dar preferência a roupas fechadas; Evitar áreas com muitos mosquitos; Remover dos ambientes possíveis criadouros de mosquitos (como água parada e folhas acumuladas).