Terça, 30 de junho de 2026, 15:15
ESQUEMA FINACEIRO

DRACO deflagra nova operação contra o Comando Vermelho e Justiça bloqueia R$ 50 milhões da facção

Oitava fase da investigação teve como alvo responsáveis pela movimentação financeira da organização criminosa com atuação interestadual.

O Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) deflagrou, na manhã desta terça-feira (30), a 8ª fase de uma operação contra integrantes do Comando Vermelho com atuação no Piauí, Ceará e Rio de Janeiro. Ao todo, foram cumpridas 68 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão, busca e apreensão e medidas patrimoniais.

  
Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO). Foto: Reprodução.
 
 
 

Durante a ofensiva, a Justiça do Piauí determinou o bloqueio de mais de R$ 50 milhões em bens e valores ligados aos investigados, com o objetivo de enfraquecer financeiramente a organização criminosa.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a investigação teve início em 2024 e identificou uma célula da facção instalada no município de Pedro II, com ligação direta à cúpula do Comando Vermelho na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, além de integrantes com atuação no Ceará.

De acordo com o delegado Charles Pessoa, a operação representa um avanço no combate ao núcleo financeiro da organização.

“Essa é uma investigação construída com muito trabalho de inteligência e integração entre as forças de segurança. Nesta fase, atingimos diretamente o núcleo financeiro da organização criminosa, bloqueando recursos que alimentavam o tráfico de drogas e outros delitos. Nosso objetivo é sufocar a capacidade financeira da organização, responsabilizar todos os envolvidos e impedir que o dinheiro do crime continue sendo utilizado para fortalecer essa estrutura criminosa”, afirmou.

As investigações também permitiram identificar a estrutura hierárquica da organização. Conforme a Polícia Civil, J.R.S.R., conhecido pelos apelidos "Carioca" e "Canindé", é apontado como líder do grupo e responsável por coordenar as ações criminosas a partir do Rio de Janeiro.

Em Pedro II, a chefia local seria exercida por A.I.N.S., responsável pelo comando do tráfico de drogas no município. Entre as principais lideranças também está D.U.N., conhecido como "Tapioca". Já A.G.G.S., apelidado de "Negão", oriundo do Ceará, é apontado como executor da organização. Os três já foram presos e permanecem custodiados no sistema prisional do Piauí.

Ao longo das fases anteriores da operação, a Polícia Civil informou ter esclarecido 13 homicídios atribuídos ao grupo criminoso e cumprido mais de 42 mandados de prisão.

Entre os casos investigados estão dois chamados "tribunais do crime": o assassinato da adolescente Giovanna Maria de Oliveira, de 14 anos, e a execução de Danilo Soares, encontrado enterrado em uma cova rasa na zona rural de Pedro II. Segundo a investigação, um dos executores confessou a autoria de seis homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio, afirmando que recebia drogas, aluguel e mantimentos como pagamento pelos crimes.

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