A Polícia Civil prendeu seis pessoas em Parnaíba, no litoral do Piauí, durante uma operação contra um grupo suspeito de aplicar golpes virtuais e lavar dinheiro. A ação foi realizada na manhã desta quarta-feira (28) e faz parte da Operação Cripto-Quimera, coordenada pela Polícia Civil de Goiás.

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de prisão temporária e 19 de busca e apreensão. Além do Piauí, a operação teve desdobramentos em São Paulo, incluindo a capital paulista, Guarulhos, Osasco e Guarujá. Durante as diligências em território piauiense, também foram apreendidos aparelhos celulares.

Golpe começou em rede social

As investigações tiveram início após um golpe registrado em março de 2023. Na ocasião, criminosos invadiram a conta de uma pessoa em uma rede social e passaram a divulgar falsas oportunidades de investimento em criptomoedas.

Um amigo do dono do perfil acreditou nas ofertas e seguiu as orientações dos suspeitos, instalando um aplicativo de acesso remoto no dispositivo. A ferramenta teria permitido aos criminosos realizar operações sem autorização da vítima.

Segundo a investigação, o prejuízo total chegou a R$ 477.083,79. Parte do dinheiro foi recuperada, mas a vítima ainda acumulou perdas superiores a R$ 200 mil.

Como funcionava o esquema

Durante a apuração, os investigadores identificaram uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e mecanismos para dificultar o rastreamento do dinheiro obtido ilegalmente.

De acordo com a polícia, os valores eram movimentados por meio de contas bancárias de passagem, transferências sucessivas e operações financeiras distribuídas entre diferentes beneficiários.

Inicialmente, o dinheiro era enviado para contas ligadas a empresas recém-criadas ou supostamente utilizadas como fachada. Em seguida, os recursos eram divididos e transferidos para outras contas em diferentes estados, inclusive por meio de dezenas de pequenas transações.

A investigação também identificou suspeitos com registros criminais relacionados a tráfico de drogas, roubo, receptação e estelionato. A existência desses registros, porém, não representa condenação pelos fatos apurados na operação.

Justiça determina bloqueio de bens

Além das prisões e buscas, foi determinado o sequestro judicial de bens e valores de aproximadamente R$ 250 mil relacionados à investigação.

O delegado Matheus Zanatta destacou a importância da atuação conjunta entre as forças de segurança para combater crimes digitais que envolvem movimentações financeiras em diferentes estados.

Os presos foram encaminhados para os procedimentos legais e permanecem à disposição da Justiça. As investigações continuam para esclarecer a participação de cada suspeito no esquema.