O senador Flávio Bolsonaro (PL) terá de enfrentar dois inquéritos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF) após o fim de seu mandato, previsto para fevereiro de 2027. Derrotado na eleição presidencial, ele é investigado por suspeitas de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Nesta segunda-feira (26), o parlamentar afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar os passaportes comum e diplomático, além de relatar que foi proibido de deixar o Brasil por determinação do ministro Alexandre de Moraes.

Uma das investigações apura suspeitas relacionadas à busca de recursos para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e a suspeita de que Flávio tenha negociado o repasse de recursos para a produção. Reportagens apontaram negociações envolvendo pelo menos US$ 24 milhões. O senador nega irregularidades e afirma que o longa é financiado com recursos privados. O inquérito está sob relatoria do ministro André Mendonça, no STF.

O segundo procedimento investiga a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, suspeito de envolvimento em movimentações financeiras consideradas irregulares. Segundo a Polícia Federal, a análise de dados e documentos encontrou registros de proximidade entre os dois, além de informações sobre viagens, encontros e possível vínculo operacional do senador com uma conta bancária ligada à empresa Alcazar Holdings. Os investigadores apuram se esses elementos indicam participação econômica ou societária. Flávio nega ter tido poderes de movimentação na conta, e a defesa de Willer afirma que as empresas são legais e que o vínculo entre os dois é de amizade.

Com o fim do mandato de senador, em fevereiro de 2027, Flávio deverá deixar de contar com o foro especial relacionado ao cargo, mas isso não significa que os casos serão automaticamente transferidos para a primeira instância. O STF definiu que processos sobre possíveis crimes cometidos durante o exercício da função e relacionados a ela podem continuar na Corte mesmo após o fim do mandato. A competência dependerá da análise dos fatos investigados. Até o momento, os casos mencionados são investigações, e as suspeitas não equivalem a condenações.