A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais também ampliou a atenção sobre a atuação do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Reeleito em primeiro turno, em 4 de outubro, com 1.436.697 votos, equivalentes a 70,90% dos votos válidos, ele chegou à reta final da disputa nacional com uma votação expressiva no estado e uma função no núcleo estratégico da campanha presidencial. Os números da eleição estadual foram confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A participação de Fonteles ganhou destaque após a campanha de Lula reorganizar sua coordenação para o segundo turno. O governador ficou responsável pela área de comunicação, enquanto Camilo Santana assumiu a articulação política e Rui Costa passou a cuidar da agenda do candidato. A mudança ocorreu depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, levando a equipe a rever a estratégia para a etapa final da eleição. A atuação de Fonteles, portanto, passou a incluir atividades de alcance nacional, além de sua gestão no Piauí

Com a reeleição de Lula, o nome do governador também passou a aparecer em especulações sobre a composição do próximo governo federal, inclusive para o Ministério da Fazenda. Até o momento, porém, essa possibilidade deve ser tratada como uma hipótese discutida nos bastidores, e não como uma indicação oficial. Uma eventual ida para o ministério exigiria uma decisão política de grande impacto para o Piauí, já que Fonteles teria de deixar o cargo de governador para assumir a função federal.

A projeção nacional também alimenta discussões sobre o espaço de Fonteles dentro do PT nos próximos anos. Antes de chegar ao governo estadual, ele comandou a Secretaria da Fazenda do Piauí, entre 2015 e 2022, experiência ligada à área econômica. A combinação entre trajetória administrativa, resultado eleitoral e participação na campanha presidencial pode ampliar sua presença nas articulações do partido. Isso não significa, entretanto, que uma candidatura nacional ou uma mudança de cargo esteja definida: os próximos passos dependerão das decisões do presidente eleito, das alianças políticas e dos planos do próprio governador.