UE suspende carne brasileira e impõe novas barreiras sanitárias às exportações

Restrição começa nesta quinta-feira (3) e envolve bovinos, aves, ovos, mel e produtos usados pela indústria de alimentos.

A União Europeia decidiu interromper temporariamente as importações de produtos de origem animal do Brasil a partir desta quinta-feira (3). A medida foi anunciada pela Comissão Europeia e inclui carne bovina, carne de frango, ovos, mel e tripas destinadas à indústria alimentícia. O bloco afirma que precisa receber garantias de que a produção brasileira atende às regras europeias para o uso de antibióticos e outros antimicrobianos em animais.

A restrição não tem prazo definido para ser encerrada. Entre as normas europeias está a proibição do uso de determinados medicamentos para estimular o crescimento dos animais, além de limitações para substâncias consideradas importantes no tratamento de doenças em humanos. A preocupação das autoridades europeias está ligada ao aumento da resistência de bactérias aos medicamentos disponíveis.

O setor de aves e mel poderá ter uma resposta mais rápida. Uma auditoria sobre esses segmentos brasileiros deve ser finalizada na sexta-feira (4), e um resultado considerado positivo poderá permitir a retomada das exportações de frango após a análise e aprovação dos países-membros da União Europeia. Já a situação da carne bovina pode exigir mais tempo para ser resolvida. O Brasil havia sido incluído, em maio, entre os países que precisavam demonstrar adequação às regras europeias.

A suspensão representa uma restrição em um mercado de grande importância para os produtores brasileiros. Durante 2025, o país enviou mais de 92 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, gerando receitas superiores a 713 milhões de euros, cerca de R$ 4,2 bilhões. Segundo a Comissão Europeia, a comercialização poderá ser retomada quando o Brasil comprovar que cumpre as exigências sanitárias estabelecidas pelo bloco.