Após 20 dias de espera, caminhoneiros começam a deixar polo em Teresina

Transportadores ficaram aguardando a regularização de documentos; setor estima prejuízos e espera normalização gradual das operações.

Caminhoneiros que aguardavam a liberação de cargas no Polo Empresarial Sul, em Teresina, começaram a retomar as viagens após um período de mais de 20 dias de paralisação provocado por dificuldades relacionadas à emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). O documento passou a ser exigido pelas novas regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) desde o dia 24 de maio e gerou impactos em diferentes regiões do país.

Para destravar as operações, empresas do setor mobilizaram equipes durante a madrugada para cancelar centenas de notas fiscais já emitidas e refazer a documentação em outra plataforma. A medida permitiu o início da liberação gradual dos veículos que estavam parados à espera da regularização necessária para seguir viagem. A expectativa é que o fluxo volte à normalidade nos próximos dias.

  
Liberação de caminhões começa após crise com novo sistema de transporte. Foto: Eduardo Costa / cidadeverde.com
 
 
 

Segundo representantes do transporte de cargas, a implantação do novo sistema ocorreu sem um período considerado suficiente para adaptação das empresas e transportadores. O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado do Piauí (Sindicapi) informou que entidades do setor acionaram a Justiça e solicitaram à ANTT a concessão de um prazo adicional de 60 dias para adequação às novas exigências. Enquanto isso, empresas e motoristas contabilizam perdas financeiras causadas pelos atrasos nas entregas e pela interrupção das atividades.

Em nota, a ANTT informou que registrou instabilidades pontuais nos primeiros dias de funcionamento do sistema, mas afirmou que os problemas já foram superados. A agência destacou que cerca de um milhão de CIOTs já foram emitidos desde o início da obrigatoriedade e que a legislação prevê a utilização do modo de contingência para garantir a continuidade do transporte em situações excepcionais. Nesse modelo, os transportadores podem iniciar a viagem e realizar o envio das informações ao sistema em até sete dias, evitando a interrupção das operações logísticas.