Justiça autoriza quebra de sigilo de celular de homem preso com R$ 1 milhão

Investigado foi liberado após audiência de custódia, mas seguirá sob medidas cautelares enquanto PF apura suspeita de lavagem de dinheiro.

A Justiça autorizou a quebra de sigilo de dados do celular apreendido com José Felipe da Cunha, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro após ser flagrado com cerca de R$ 1 milhão em espécie em Teresina. A decisão permite o desbloqueio do aparelho e a análise do conteúdo armazenado, que poderá auxiliar na identificação da origem dos recursos e de possíveis envolvidos no caso. O investigado foi preso e liberado no dia seguinte durante audiência de custódia.

Na decisão, o magistrado considerou que há elementos que justificam o aprofundamento da investigação, entre eles a retirada de uma quantia elevada em dinheiro e o registro de movimentações consideradas incompatíveis com o perfil financeiro apresentado. Com a autorização judicial, investigadores poderão acessar registros de chamadas, mensagens, fotos, vídeos, e-mails e conteúdos armazenados em aplicativos como WhatsApp, Facebook e Instagram.

  
Quebra de sigilo de celular é autorizada em investigação sobre R$ 1 milhão. Reprodução/ PF
 
 
 


Segundo a Polícia Federal, o investigado havia solicitado, um dia antes da abordagem, autorização para realizar três saques de grandes valores. Após a movimentação, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhou um Relatório de Inteligência Financeira apontando que os recursos estariam vinculados a três empresas e apresentariam incompatibilidade com a capacidade financeira atribuída ao investigado. A partir dessas informações, foi iniciada a apuração sobre possível ocultação da origem dos valores.

José Felipe foi abordado pelos policiais logo após deixar a agência bancária, carregando uma mochila com maços de dinheiro em cédulas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200. O valor informado foi de aproximadamente R$ 1 milhão. Durante a ação, dois homens que acompanhavam o investigado, entre eles um policial militar, também foram identificados, mas não houve indícios de participação deles. Apesar da liberação em audiência de custódia, a Justiça determinou medidas cautelares, como comparecimento aos atos processuais, restrição para deixar a comarca sem autorização e proibição de contato com os acompanhantes que estavam com ele no momento do saque.