Sexta, 14 de agosto de 2026, 14:50
COLUNA

Botas Verdes: o sombrio ponto de referência do Everest

Durante décadas, uma bota verde congelada serviu como macabro ponto de referência para alpinistas que desafiam os limites do Everest.

Quem nunca precisou localizar uma cidade, um prédio ou a casa de um amigo tendo como base um “ponto de referência” que ajudasse a indicar o caminho certo? Muitas vezes, essa referência pode ser uma árvore gigantesca, um prédio público movimentado ou uma praça arborizada. Mas, no Monte Everest, o ponto de referência pode assumir uma forma nada convencional — e até mesmo sombria.

Mais de 200 corpos jazem no Everest. Um deles, congelado há décadas em uma cavidade rochosa da chamada “zona da morte”, próxima ao cume, tornou-se um dos mais conhecidos. Trata-se de Dorje Morup, um cabo da polícia militar que desapareceu na montanha gelada em 10 de maio de 1966. Para os aventureiros que arriscam a vida nas alturas, porém, ele ficou conhecido como “Botas Verdes”, por causa das botas de montanhismo verde-limão, que permaneceram visíveis e que, durante anos, serviram como um macabro ponto de referência para quem tentava desafiar a montanha.

Agora, o “Botas Verdes” pode estar prestes a ser definitivamente retirado do Everest e entregue à família para receber um enterro digno. A Índia, seu país de origem, prepara uma grande operação para resgatar o corpo. A missão é extremamente arriscada e envolve altos custos. Estima-se que um corpo congelado a cerca de 8.500 metros de altitude possa pesar aproximadamente 200 quilos, e que o resgate custe perto de 80 mil dólares.

  

Dorje Morup
Foto: Divulgação
   

A previsão é de que o resgate ocorra durante o mês de outubro. Os preparativos estão sendo cuidadosamente estudados pelo governo indiano.

Dorje Morup poderá, finalmente, receber um enterro digno. E o “Botas Verdes” deixará de ser apenas um ponto de referência no alto e gelado Everest. Talvez, no futuro, quando um aventureiro ultrapassar seus próprios limites na montanha, já não seja possível dizer, com a frieza de quem encara a morte como parte do desafio: “Fui até depois do Botas Verdes”.

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