Segunda, 09 de fevereiro de 2026, 19:49

Xadrez na Política

MARGARETE

Margarete pode ser eleita governadora?

Arnaldo Eugênio Doutor em Antropologia

À medida em que se aproximam as eleições gerais no Brasil, em 2026, velhas questões ressurgem no contexto político. Dentre elas há uma questão inquietante: o Brasil tem medo de eleger mulheres? E, especificamente, Margarete Coelho (PP) pode ser eleita governadora do Piauí?


Primeiro, o Brasil tem, ainda hoje, um dos piores índices de representação política feminina da América do Sul. Isto ocorre não é pela ausência de candidaturas femininas, mas, pela falta de apoio nos partidos políticos, que afastam as mulheres de candidaturas a cargos públicos eletivos.


Tanto que, em 2026, no país existem municípios que nunca elegeram mulheres a prefeita ou sequer elegeu uma vereadora em sua história.  Bem como, há estados que, ao longo dos séculos, jamais elegeram uma mulher como governadora. Mesmo que o país já tenha tido uma presidente, mas seu processo de destituição do cargo constantemente é visto por pesquisadoras de gênero pelo viés de misoginia.
Nas eleições municipais de 2024 houve o maior número de mulheres candidatas, mas isso não se refletiu, necessariamente, em vitórias nas urnas. A nível estadual, para os cargos de deputados federais e estaduais ainda há menos mulheres do que para o Senado. Muitas vezes, as mulheres são postas como candidatas apenas para burlar as cotas de gênero em eleições proporcionais.


Segundo, no caso específico do Piauí, a oposição política pode escolher Margarete Coelho (PP), que já ocupou o cargo de governadora, para disputar o governo do estado e evitar a reeleição do governador Rafael Fonteles (PT). Assim, independentemente do tamanho ou da composição do eleitorado, ao que parece, há um medo se o Piauí ainda têm alguma resistência a eleger mulheres. Ou seja, em sendo a candidata da oposição, Margarete pode ser eleita governadora?
Ora, política é a arte de articular-se pelo poder, se a oposição considerar que, a representação política feminina, de forma geral, os eleitores não têm receio, medo ou preconceito de votar em mulheres, ela pode ser a escolhida. Ou seja, a escolha de Margarete não deve ser pautada por uma questão de ter medo ou não, mas se irão lhe assegurar o apoio político, os recursos necessários e a empatia popular.
Pois, como afirma a cientista política Teresa Sacchet (USP), “os eleitores votariam e votam em mulher. Se ela tiver dinheiro, vai concorrer igual aos homens". Para ela, existem duas falácias que são compartilhadas pela maioria das pessoas: 1ª) o de que as mulheres não estão interessadas em política e 2ª) o de que os eleitores não votam em mulheres.


É óbvio que para se eleger não basta querer, mas poder. Assim, como há muitas mulheres qualificadas e competentes – p.ex. Margarete Coelho – para qualquer cargo público, elas poderão ser eleitas se tiverem as condições necessárias, como recursos para a campanha, apelo popular e apoio partidário. Não é fácil, mas possível e necessário.
Logo, a baixa participação feminina não é “culpa” dos eleitores, a depender da conjuntura política (nacional e local) e da estratégia de campanha adotada pelas forças políticas de oposição, Margarete pode se eleger governadora e, com isso, fortalecer a presença feminina na política.


Pois, mesmo com o machismo na política, a eleição de Margarete dependerá de fatores conjunturais, que passam pelo financiamento de campanha, o apoio das lideranças partidárias e o capital político. Outro desafio é o “clube do bolinha nos partidos”, ou seja, no jogo de poder nos partidos, os homens são mais articulados nas estruturas de poder.
Mas, a disputa de egos governistas, a coalizão política na oposição e a elevação do capital político efetivo podem favorecer Margarete a ser eleita governadora. Até porque, a prioridade nacional é a reeleição de Lula e a eleição de senadores aliados.

Leia Também

Dê sua opinião: