Sexta, 24 de julho de 2026, 17:42
DESAPARECIDOS

Desaparecimentos crescem 20,5% no Piauí e estado tem média de dois casos por dia

Levantamento mostra crescimento entre 2024 e 2025; especialistas alertam para dificuldades na investigação e ausência de indicadores específicos.

O Piauí registrou o terceiro maior crescimento no número de pessoas desaparecidas do Brasil entre 2024 e 2025, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026. O estado passou de 616 registros em 2024 para 744 ocorrências em 2025, um aumento de 20,5%. Com esse resultado, a média chegou a aproximadamente duas pessoas desaparecidas por dia, colocando o estado atrás apenas de Minas Gerais, que teve alta de 30,5%, e do Maranhão, com crescimento de 29,8%.

Além do aumento nos registros de desaparecimento, o levantamento também aponta crescimento no número de pessoas localizadas. Em 2024, foram encontradas 264 pessoas, enquanto em 2025 esse total subiu para 346. O documento destaca que, embora não seja possível estabelecer uma relação direta, estados como Piauí e Maranhão enfrentam disputas ligadas ao tráfico de drogas, cenário que pode estar associado ao avanço desses indicadores, apesar de ambos ainda apresentarem taxas abaixo da média nacional.

  
Piauí está entre os estados com maior alta de pessoas desaparecidas. Reprodução/ Internet
 
 
 

Em todo o Brasil, as forças de segurança registraram 84.269 desaparecimentos em 2025, um aumento de 3,6% em comparação com os 81.040 casos contabilizados no ano anterior. O número representa a maior quantidade de ocorrências dos últimos nove anos. Segundo o anuário, 64,9% das pessoas desaparecidas são do sexo masculino, e 64,4% pertencem à faixa etária entre 18 e 59 anos. O estudo também mostra que pessoas negras representam 45,2% dos registros, mas alerta que uma parcela significativa das ocorrências ainda não possui informações sobre raça ou cor, comprometendo análises mais precisas.

Especialistas apontam que a falta de dados detalhados dificulta a compreensão do fenômeno. A pesquisadora e mestre em Sociologia Maria Romero afirma que o Brasil ainda não possui indicadores capazes de diferenciar desaparecimentos voluntários dos forçados, o que limita a elaboração de políticas públicas mais eficazes. Segundo ela, o crescimento observado no Piauí não é um episódio isolado, mas parte de uma tendência registrada ao longo da última década. A pesquisadora também ressalta que a combinação entre o aumento dos desaparecimentos e os baixos índices de esclarecimento de homicídios no estado evidencia desafios para a atuação da segurança pública diante das novas formas de atuação das organizações criminosas.

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