Sexta, 24 de julho de 2026, 17:38
MORTES VIOLENTAS

Mortes violentas de crianças e adolescentes crescem 46,2% no Piauí

Levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que estado passou de 39 para 56 vítimas em um ano.

O Piauí registrou aumento de 46,2% nas mortes violentas intencionais (MVI) de crianças e adolescentes com idade entre 0 e 17 anos em 2025, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (23). O número de vítimas passou de 39, em 2024, para 56 no ano passado, colocando o estado entre os que tiveram maior crescimento desse tipo de ocorrência no país.

O resultado segue na contramão do cenário nacional. No Brasil, as mortes violentas intencionais envolvendo crianças e adolescentes tiveram redução de 10,8%, passando de 2.356 casos em 2024 para 2.079 em 2025. No Piauí, o aumento foi registrado tanto entre crianças de até 11 anos, com crescimento de seis para nove vítimas, quanto entre adolescentes de 12 a 17 anos, faixa que passou de 33 para 47 mortes.

  
Violência contra crianças, Foto: Luiz Marques/ BRZ Unicef
 
 
 


Para o doutor em Sociologia Daniel Santos, os números refletem mudanças na dinâmica da violência no estado, principalmente relacionadas ao avanço de organizações criminosas e ao aumento da exposição de jovens em áreas marcadas por disputas territoriais. Segundo ele, adolescentes podem acabar envolvidos direta ou indiretamente em conflitos ligados ao crime organizado, seja por recrutamento ou por viverem em regiões afetadas por esses grupos.

O especialista ressalta, porém, que os dados não indicam que todas as vítimas tinham ligação com facções criminosas. De acordo com ele, o crescimento das mortes mostra um cenário em que a violência ultrapassa os integrantes dos grupos e atinge também familiares, moradores e pessoas que vivem em locais onde existem disputas pelo controle territorial. Casos recentes no Piauí envolvendo adolescentes mortos em contextos relacionados a conflitos entre facções reforçam a preocupação das autoridades com a expansão da violência entre jovens.

Leia Também

Dê sua opinião: